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Posts Tagged ‘TIM’

“– Onde fica a Av. Almirante Barroso?” Perguntei ao colega do lado da minha mesa de trabalho. “– Ah, olha no Google Maps!” Dali a duas semanas, uma outra colega pergunta: “ – ´Cortiço´ se escreve com ç ou ss?” A resposta veio rápida: “ – Põe no Google pra saber.” Pensei: caramba, será que as pessoas não vivem mais sem o Google? Será que uma mera informação que eu precise não posso simplesmente perguntar a alguém de carne e osso em vez de pesquisar no computador? E enquanto pensava, eis que entra nova mensagem pelo MSN: “– Vamos almoçar agora?”  Quem enviou senta a apenas duas cadeiras da minha.

Faz dois meses, fui no show do A-ha no Rio de Janeiro. Lindo e emocionante, principalmente pra minha geração, que curtiu o ótimo som dos anos 80. Fazia tempo que eu não ia a um show ao vivo, porque aumentou muito o valor do ingresso, já que todo mundo tem ou falsifica sua carteiras de estudante (diga-se de passagem, usando bons softwares de edição de imagem). E foi grande meu espanto quando o grupo entrou no palco e centenas, pra não dizer milhares de braços se erguem com câmeras digitais pipocando flashes ou gravando o show em vídeo. Eu, que tinha levado minha velha Samsung, que comprei nos primórdios do lançamento das câmeras digitais, também levantei meu bracinho no meio da multidão insana. Tirei várias fotos sim! Mas… dos braços erguidos na frente do Morten… Tudo bem, vamos tirar fotos. Eu também amo fotografia. Mas filmar o show inteiro? Pra que a pessoa vai ao show se não consegue assistir a nada? Sim, porque se olhar para o palco, perde o enquadre da câmera. Então, você está lá, mas não está, porque assiste a tudo pelo pequeno visor da câmera digital. É praticamente um show virtual.

Esses dias, fui no almoço de aniversário do meu chefe. Estávamos numa mesa imensa, com umas 30 pessoas aguardando o demorado pedido chegar. De repente, ao meu lado, uma colega saca o celular pra twittar. Na cadeira em frente, outro esfrega as mãos nervosamente. Tinha esquecido o celular e não tinha com que se ocupar (mesmo tendo 30 pessoas disponíveis para conversa). E o orkut? E o MSN? Se eu for enumerar aqui quantos problemas e perda de energia já tive por causa de scraps, depoimentos, buddy pokes e outras parafernálias das mídias sociais, vocês pegarão seus lencinhos para enxugar lágrimas, amigos. Não, não farei isso com vocês, em nome das boas vibrações que desejo para este blog… :-)

Recentemente tive o prazer de viajar para Portugal e lá fui buscar a terra dos meus avós. Descobri uma aldeia perdida em meio a montanhas, depois de receber ajudas inesperadas e procurar pessoalmente,  perguntando a um e outro o caminho. Ao chegar num café, o único estabelecimento comercial do lugar, umas senhorinhas muito simpáticas me receberam e, ao saberem da minha busca, tentaram me ajudar. Não havia Google, nem nada parecido pra consultar. Passaram foi a mão no bom e velho telefone e saíram ligando pra todas as pessoas mais idosas da cidade, que poderiam ter alguma lembrança dos meus avós. Afinal, eles nasceram nos idos de 1890, quando nem se pensava em computadores! Tentaram, tentaram e nada. Então, mandaram alguém ir na casa de uma senhora e chamá-la para vir falar comigo. E foi assim que encontrei meus parentes perdidos, que nem sabia que tinha.

O filho desta senhora, meu primo de segundo grau, falou comigo por telefone: “– Como você achou a gente? Eu procurei na internet e nunca consegui localizar ninguém!” Ahhhhh, que prazer senti! Eu achei simplesmente porque fui até lá com minhas próprias pernas, levando documentos em papel (que eu obtive pela internet, ok, ok…mas também poderia ter conseguido pelo correio) e conversando com pessoas reais, de carne, osso e sentimentos. Quer dizer então que existe vida para além dos bites e bytes e que é possível viver além da tecnologia, como diz a bela imagem e campanha da TIM. [Aliás, essa mulher aí da foto é minha sósia ou o quê? :-)mãe ]

Vejam, não critico as benesses da tecnologia. Afinal, é dela que tiro meu ganha pão todos os dias, já que sou redatora web. Aliás, não fosse a internet você não estaria agora lendo este meu blog. Acredito e gozo das facilidades múltiplas da web e dos gadgets, mas os excessos me incomodam um pouco, confesso. Afinal, cada vez mais me comove uma boa contação de histórias para os ouvidos atentos do meu sobrinho de 7 anos, um bom livro que se lê folheando página por página, em vez de usar um leitor de e-book, um bate-papo num café com alguém interessante (sentindo o bom cheiro do café!), em vez de ficar horas num chat online.

Tudo bem, tem coisas que foram muito facilitadas com toda essa parafernália web. Na volta de Portugal, eu mesma entrei no Google Earth (sempre o Google!) e lá mostrei para o meu pai de 80 anos, que já não tem condições de pegar 8 horas de avião para ir à Europa, a imagem do satélite da cidade onde seus pais nasceram e que eu acabara de conhecer. Ele gostou muito e pediu pra ver outros locais do mundo, que nunca poderá ir pessoalmente: Jerusalém, as pirâmides do Egito… Foi uma tarde agradável, dando a volta ao mundo com meu velho pai em 80 cliques. Ando pensando em mandar por e-mail para meus parentes portugueses recém-conhecidos algumas fotos de minha família. Mas tive idéia muito melhor: vou colocar meu pai na webcam, para que ele fale ao vivo e conheça seus primos. Será um bom exemplo de como a tecnologia pode ser realmente útil e, por que não, afetiva.

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