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Posts Tagged ‘março’

Estou aqui escrevendo este post inspirada pelas águas de março, que caem lá fora, aquelas mesmas que fecham o verão e banham muitas vezes o dia do meu aniversário. Sim, sou de peixes, do dia 12. Sou das águas, das águas profundas, águas de Iemanjá. Chove. E o verão vai dando traços de adeus. Em breve, será outono e o furor das altas temperaturas terá passado.

Ultimamente, o que mais me apanho a dizer é: “tudo é impermanente”. Aprendi isso com um amigo budista. Significa dizer que tudo passa. Toda dor e também toda alegria. Tudo. Por um lado, é um consolo saber que todo o nosso sofrimento passa. Pra quem está em trevas e não vê luz no fim do túnel, é uma grande benção saber que vai acabar. Mas e a felicidade? E o amor? Esses também passarão.

No filme Ghost, o personagem do Patrick Swayze nunca dizia que amava a esposa. Dizia apenas “Idem”. Seu medo era que o momento de felicidade acabasse. Por isso, nunca conjugava o verbo mais cobiçado: amar. Mas não tem jeito. Tudo, tudo passa. O amor, a dor, a vida. Menos nas novelas e finais de contos de fadas, em que todos são felizes “para sempre” e os maus são punidos, também “para a eternidade”. Só que isso é ficção e a ficção é feita por homens, que ainda não descobriram a inescapável efemeridade das coisas.

Março é o fim do ano astrológico e inaugura o começo de outro giro zodiacal. Finalmente 2010 vai começar de fato e regido por Vênus. E, pra mim, é o fim de mais um ano de vida, desta vez, de uma década. Mas que bom que a impermanência faz nascer algo novo, não é? No Feng Shui se explica isso. A natureza não gosta de espaços vazios. E quando jogamos algo fora, a vida preenche com algo novo. Então, tudo passa. Mas também tudo se renova. Eis a beleza das coisas.

Já que a impermanência é uma lei da vida, é sábio seguir neste mundo com desapego das situações, do que possuímos e das pessoas, principalmente das pessoas. Pra gente, que vive com a ilusão de que temos um trabalho, um amor, um filho, um projeto, crer que não temos absolutamente nada, que nada nos pertence, ao contrário, tudo um dia acabará, no mínimo, porque se transformou em outra coisa, é pura sabedoria. Evita ansiedades, sentimentos de perda, depressões, raivas. Nossa!

Março faz findar um tempo e começar outro. Assim como eu, que morro e renasço neste mês pisciano do meu aniversário. Findo aqui um pedaço de mim, que se transforma, na esperança de um novo tempo, mais feliz, menos apegado, logo, menos sofrido. Vamos lá. Fluir na dança da vida, no seu ritmo e no seu movimento. Feliz ano novo pra todos. Feliz aniversário para mim. E um salve para a impermanência.

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aniversárioAcabo de fazer aniversário. Muitos diriam que completei mais um verão, mais um ano de vida. E em meio às reflexões que este evento acarreta, fiquei pensando: por que “completei mais um ano”? Por que não, “estou começando um novo ano”? Nossa tendência de olhar para trás e não adiante, fazer um inventário das experiências vividas, valorizar o que passamos e o que deixamos passar é sempre maior. E, do alto de minha mais nova idade, resolvi olhar pra outra direção e escolher diferente: quero um novo ano, um ano bom e de expansão.

Bom seria se a gente perdesse a memória para idades. Lembraríamos o que comemos ontem, o saldo do banco, o telefone do namorado, mas não quantos anos já percorremos. Digo isso não por estarmos “ficando velhos”, mas para que o peso dos números, cobranças e ansiedades não nos atormentassem tanto. Poderíamos sempre, simplesmente, celebrar o novo, um novo ciclo, uma nova etapa que inicia, nova jornada, novos horizontes. Mas este olhar o novo (e desconhecido) talvez seja o que menos fazemos por ser um tanto assustador. E mesmo os mais arrojados, que gostam da adrenalina do novo, de certa forma também o temem, pois o medo é parte do humano. A diferença é que temem, mas não se paralizam no medo. Como diria uma amiga, “colocam o medo ao lado, não na frente, e continuam caminhando”.

Gosto do mês de março, que sempre me traz estes novos ventos. É um segundo réveillon no ano. A energia é de renovação. E em paralelo é, de fato, o começo do ano novo na astrologia com a entrada do sol em Áries, signo da ação e dos inícios, mais precisamente ontem, 21 de março. Na vida cotidiana é também quando tudo recomeça: crianças voltam pra escola, as ofertas de cursos são fartas, enfim, o mundo recomeça a produzir após longas e merecidas férias com altas temperaturas nas praias.

menino maluquinho

Domingo passado acordei e, como de costume, liguei a televisão na TV Brasil. Já era bem tarde da manhã e começava a passar o insuperável “Um menino muito maluquinho”. Pra minha surpresa, o tema era – adivinhem! – aniversário. O Maluquinho contava como prometera jogar sua mamadeira no telhado quando fizesse 5 anos e como o tempo tinha passado tão rápido (obviamente ele não queria se desapegar daquele saboroso objeto de desejo). De fato, não é muito simples soltar as traquitanas que vamos acumulando com os anos. Mas se não fizermos isso, como abrir espaço pra algo novo? Que tal a mamadeira por uma bicicleta nova? 

No aniversário de 10 anos, Maluquinho ganha uma big festa, cheia de amigos e presentes e começa a vivenciar os impulsos juvenis na direção de uma bela moreninha. Ambos, que sempre foram amigos, de repente se descobrem “muito mais legais” um para o outro. É o tempo que passa com seus imperativos, também hormonais.

Foi um momento feliz e sincrônico, ver este episódio. Mas o melhor de tudo foi a dialética frase final com que o personagem, já adulto, encerra o programa: “O tempo nunca passa e a gente tem sempre todas as idades. O tempo passa e gente cresce.” É mesmo, cresci. Mas a menina que sonhava com uma bela festa de aniversário, ainda hoje, sonha em mim.

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