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Posts Tagged ‘livro’

A gente se conheceu sem que eu esperasse. Foi através de um amigo em comum, o Jorge. Ele vivia me falando do meu pretendente, de como seria ótimo eu conhecê-lo, de como a gente iria se divertir juntos, porque tinha tudo a ver um com o outro. Eu vivia por aí a contar histórias da família, coisas que me aconteciam, situações engraçadas, outras trágicas, cenas que eu via no cinema, na TV. Ele também sabia um montão de histórias. Como a gente nunca tinha se esbarrado antes?

O primeiro encontro aconteceu na biblioteca da escola, o antigo e tradicional Liceu Nilo Peçanha em Niterói. Eu tinha só 14 anos e era uma adolescente que vivia sonhando com um grande amor. Foi um encontro meio sem jeito, eu estava um pouco envergonhada, nervosa, desconfiada, nem sei. Mas o Jorge me encorajava:

– Vai! Anda, chega mais perto. Ele não morde, ora!

Lembro bem como foi. Lembro ainda do lugar, do cheiro inconfundível e de quando nossos olhares se cruzaram. Enfim, o amor… Amor de novela, de romance, de poesia, amor à primeira vista, à primeira página. Encontrei minha alma gêmea: o livro.

Essa narrativa, que alguns já conhecem, bem poderia ser o começo de um romance que contasse minha história com os livros. Uma história de amor com final feliz, como tantos contos de Cinderelas e Brancas de Neve. Esse casamento deu certo e já dura pelo menos 30 anos. É uma vida… mais que bodas de prata! Mas a sensação que tenho é que nosso amor está apenas começando e que temos ainda muita coisa linda pra aprender um com o outro, pra trocar, pra construir e crescer juntos.

Não tem livros, mas tem quadrinhos

Lá na minha meninice, eu não lia muito não. A minha família não tinha grana pra luxos e livro era supérfluo. Não que não tivesse importância, mas é que o feijão, o macarrão, o pão, valiam muito mais. Afinal, barriga vazia não entende das letras. Meus pais estudaram pouco e nunca se achegaram em livros. Então, o que lembro com clareza de contato com leitura foi em um livrinho de ilustrações, um dicionário pra quem estava aprendendo a ler. Lembro bem de uma cena em que meu pai lia as palavras pra mim, enquanto eu apontava as figuras. Foi desses momentos mágicos de contato entre pai e filha, que os psicólogos tanto falam que os livros proporcionam e incentivam.

Já com mamãe e história foi diferente. Ela me prometeu que, quando eu aprendesse a ler, me compraria revistinhas em quadrinhos. E cumpriu. Tenho até hoje uma caixa da minha coleção de revistinhas da Turma da Mônica, do Maurício de Souza, e do Sítio do Picapau Amarelo, da Editora Globo. Nossa, eu viajava nas aventuras da Mônica, Cebolinha, Cascão, Pedrinho, Narizinho, Visconde de Sabugosa, Emília… Sim, até pelo Príncipe Escamado eu me apaixonei. Eu e meus amores impossíveis…

O reencontro

Já com mais de 30 anos, resolvi fazer uma pós e encontrei uma especialização na UFF em Literatura Infanto-Juvenil. Ao fazer a inscrição foi uma alegria tão grande, que entendi que meu caminho jamais poderia ser apartado dos livros. Neste curso finalmente conheci Lobato e suas Reinações de Narizinho, Luciana Sandroni, Ruth Rocha, Bartolomeu Campos de Queiroz, Sylvia Orthof e tantos outros. Mergulhei de volta em meu mundo infantil de aventuras, de reinos, de florestas encantadas… Voltei a sonhar.

Hoje, os livros são meus melhores companheiros. Aqueles que me alegram, me tocam, me ensinam, me emocionam. E lá na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, espero entrar ainda mais neste universo e alimentar com novas idéias e novos exemplares o fogo desta minha paixão. Afinal, neste caso de amor, vou deixar de lado o poetinha e seu “que seja eterno enquanto dure” (só?). Prefiro os contos de fadas, para sermos “felizes para sempre”.

Fotos: cadedigital.com

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Hoje é o Dia Nacional do Livro e quero começar este post declarando publicamente meu amor por livros, estes objetos de desejo e sabedoria. Minha história com os livros é diferente da de tantas outras pessoas, penso. Quando criança, não tive o hábito da leitura, porque meus pais não tinham grana pra comprar livros. Isso era artigo de luxo num lar onde nem geladeira havia (a gente pegava gelo no caridoso vizinho com um potinho de isopor, pra gelar nossos sucos). Então, não tive contato com livros infantis físicos. Mas histórias? Ah, as histórias. Estas sempre me cercaram de um jeito ou de outro.

Turma da MônicaMeu pai era um contador de histórias nato. Inventava enredos e me encantava, ativando minha criativa imaginação infantil. Já minha mãe, era mais pragmática. Ela dizia que, quando eu aprendesse a ler, iria me dar de presente revistas em quadrinhos pra eu me divertir. E cumpriu sua promessa. Comprou muitas nas bancas de jornal, de onde eu voltava de olhos brilhantes de alegria, sempre da Turma da Mônica (veja um vídeo clássico dos anos 70) ou do Sítio do Picapau Amarelo, que eu adorava não só ler mas ver todas as tardes na TV. As revistas eram minhas e do meu irmão. A gente sempre aprendeu a dividir tudo, o que nos fez pessoas menos egoístas e mais humanas, eu acho. Com o tempo, cresci e as revistinhas ficaram guardadas numa caixa. Guardo minha coleção carinhosamente até hoje.

A vida se encarregou de me fazer conhecer um amigo na minha adolescência, o Jorge Brasil, hoje jornalista, mas que sempre devorou pilhas de livros. Quando soube que eu não tinha hábito de ler, me puxou pelo braço e levou na biblioteca do colégio, onde me fez o grande favor de me apresentar aos livros da Agatha Christie. Disse: “– Escolha o que quiser.” Lembro que o primeiro que li foi “O Natal de Poirot”. Adorei e li muitos desta autora. Jorge sabia das coisas e me fez ler no início algo fácil e instigante, que me cativaria e criaria em mim o hábito da leitura. Depois, outros entraram no meu gosto, como José de Alencar, José Lins do Rego, Fernando Sabino e o impagável Machado de Assis, que considero meu verdadeiro professor de redação.

Anos mais tarde, sem querer me tornei redatora. Nesta época eu já lia de tudo, de bula de remédio a lista telefônica…rs E entendi porque eu gostava tanto de escrever cartões de natal e aniversário para os amigos na adolescência, sempre com mensagens extensas e cheias de emotividade. Eu já era escritora sem saber. Um belo dia resolvi fazer uma pós. “– Em quê?”, pensei. Em Literatura Infanto-Juvenil. Foi somente aí, neste curso, que vim ter maior contato com livros para crianças, aqueles que me faltaram na infância, e vou contar pra vocês: foi um grande prazer escolher, tocar e ler aqueles livros como se eu tivesse de novo 10 anos. Li Monteiro Lobato (que luxo!), Ana Maria Machado, Ruth Rocha e tantos mais. Minha criança interior ficou bem satisfeita, confesso. :-)

Sítio do Pipapau Amarelo

“Um país de faz com homens e livros.” Monteiro Lobato

Hoje é o Dia Nacional do Livro, repito. Uma data para ser comemorada com pomba e circunstância. Todo mundo deveria fazer a gentileza de dar um livro de presente a uma criança pelo menos uma vez na vida. É o maior presente que podemos oferecer, para estimular nossas crianças a serem adultos melhores.

Curtam este lindo vídeo e leiam sempre. Vale a pena.

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