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Posts Tagged ‘literatura’

Participar de concurso literário é uma atividade recente em minha vida. Tudo começou com um conto que escrevi para o concurso da Livraria Cultura em 2008: Um gato, o mundo e a deliciosa imaginação infantil. Foi a Renata Cardoso, autora do A Fadinha Carolina, que me convidou e eu topei. E #curti. Depois disso, tomei gosto e sempre que aparece algum é motivo pra criar e botar a imaginação pra fluir.

O segundo foi o concurso do blog Fio de Ariadne e neste, para minha felicidade suprema, ganhei o primeiro lugar com o conto O sapato. Em novembro de 2010, participei de um concurso cultural do site Ortopé Eco e lá fui remexer nas gavetas da memória e nos arquivos da infância. De lá pesquei minha menina de tranças, que plantou um pezinho de feijão no copo com algodão molhado. Boas e ternas lembranças.

Saiu o resultado e, dessa vez, não levei. Uma grande pena porque os contos ganhadores virariam um livro. Lamentei muito. Talvez o regulamento não estivesse muito claro ou eu que não entendi bem, porque os ganhadores foram histórias-depoimento. E a minha era uma ficção, baseada em minha vida real, mas certamente, ficção. Enfim, não importa. O que realmente vale é o conto que nasceu. Mais um para meu repertório, que compartilho aqui com todos vocês, que me leem. Até o próximo concurso.

O pé de feijão

Nina chegou da escola radiante, segurando cautelosamente um potinho de vidro, onde se via um chumaço de algodão molhado. A mãe foi logo perguntando o que era aquela novidade. Decerto achou que seria mais uma bugiganga dessas que as crianças vivem a inventar e que, na sua opinião, só serviam pra entulhar a casa. Mas a menina, orgulhosa de si, jogou suas longas tranças para trás e foi logo explicando sua aula prática de ciências biológicas:

– Mamãe, hoje aprendi a plantar feijões! – e apontava o dedinho indicador para o algodão.

– Feijões? Só vejo aí um algodão ensopado. – retrucou a mãe meio descrente.

– Sim, você está vendo só o algodão, mas dentro dele tem um grão de feijão e a professora Cecília disse que, com o tempo, o feijão vai brotar e crescer. Será meu primeiro pé de feijão particular!

A mãe torceu o nariz e voltou para o fogão, afinal, o seu feijão estava no fogo a cozinhar. Havia mais o que fazer.

Nina procurou um canto na janela do seu quarto, para acomodar sua pequenina lavoura. Deitou na cama e ficou olhando o potinho, pedindo que o tempo fosse generoso e passasse bem rápido, para que a semente germinasse e crescesse logo.

– Cresce, cresce… cresce… – repetia baixinho em sua ansiedade infantil. E foi assim que um sono súbito foi tornando pesadas suas pálpebras, escondendo os olhinhos verdes da menina.

Adormeceu. E sonhou. Sonhou um sonho encantado, em que havia plantado um grão de feijão no jardim de casa. E, antes que o sol tivesse se posto, o pé de feijão já estava do tamanho do coqueiro mais alto que já vira no sítio do seu avô. Mais que ligeira, subiu pelo pé de feijão, folha por folha, subindo, subindo, cada vez mais alto. E, quanto mais subia, menor ficava sua casa vista lá de cima,

o jardim, as pessoas e até seu gatinho Flufi, que ficou tão minúsculo quanto uma formiga. Enfim, chegou nas nuvens.

– Onde estou? – perguntou a si mesma.

Uma gaivota de nome Fernão, que passava naquele momento, foi quem parou seu vôo para responder:

– Você está no céu, ora, nunca viu?

– Ver eu já vi, mas lá de baixo, não aqui pertinho.

– E pra onde você vai? – perguntou a gaivota meio apressada, pois estava de viagem marcada para conhecer o mundo.

– Não sei, só plantei um pé de feijão e ele cresceu tanto que cá estou.

– Bem, se já está aqui, que tal seguir viagem comigo? – sugeriu a gaivota.

– Mas não tenho asas, nem sei voar. – respondeu.

– Ora, isso é bem fácil. – e num movimento de asas jogou sobre a menina um pó luminoso como

relâmpago em dia de tempestade, encolhendo-a de repente.

– Como você fez isso? – perguntou surpresa, enquanto saltava do pé de feijão e se ajeitava nas costas da ave.

– Tenho meus truques – retrucou a gaivota, piscando o olho, enquanto voou rasgando uma nuvem branquinha, que mais parecia o algodão em que a menina havia plantado o feijão.

Saíram pelo céu azul, planando sobre florestas, rios caudalosos, cachoeiras, desertos, vales cheios de flores e imensas montanhas pelos cinco continentes. E Nina aprendeu sua melhor lição: a natureza era a maior herança que o planeta poderia lhe deixar.

Subitamente, quando estavam descendo num vôo rasante sobre o mar, gotas de água molharam seu rosto. A menina acordou com seu gatinho a lamber suas bochechas. Esfregou os olhos,

voltou-se para a janela e lá estava seu pé de feijão. Um pequeno broto começara a nascer e Nina sorriu satisfeita:

– É minha primeira arvorezinha! – exclamou feliz.

Era só a primeira árvore, das muitas que plantaria pela vida afora, quando chegasse o tempo de amadurecer.

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Pra ir na Bienal a gente pegava quatro ônibus e, vou te contar, ia feliz. O prazer de ver tantos livros juntos e tantas coisas legais acontecendo era grande e valia o sacrifício. Ainda dá pra lembrar o gosto do cachorro quente que a gente comia depois de andar muitas horas só olhando, sem nada comprar. Afinal, a grana na juventude sempre é curta. Mas a diversão era garantida. A volta que era cruel. Enfrentar a fila imensa pra pegar ônibus até o Alvorada e, de lá, mais três até Niterói. Era uma dureza, mas a sensação no saldo final era boa: fomos à Bienal do Livro!

Achei que nunca faria sacrifício maior pra ir neste evento. E não é que este ano me deu a louca e resolvi pegar seis horas de viagem até São Paulo pra participar? Fui e foi sensacional. Meus olhos hoje são bem diferentes dos de antigamente. Vejo as editoras com o olhar da profissional de comunicação, vejo as palestras com sede de saber, vejo os livros como objetos possíveis de serem adquiridos (sim, comprei muitos este ano, mas tudo por uma pechincha devidamente garimpada!).

Este ano foi o da temática sobre os e-readers e livros digitais. Cada curva de stand só se falava disso. Vai pegar? Não vai? O livro de papel vai acabar? Aff, gente! Parem com isso. O livro não vai acabar NUNCA! Não se depender de leitores ávidos e contumazes como eu…rs Não sou absolutamente contra a tecnologia e quero mais é ter o meu e-reader, mas o prazer de uma estante cheia e colorida, ninguém me tira. Um dia hei de ter a minha.

Pra contar pra vocês como foi a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, melhor é recorrer às fotos que tirei. Ah e sabe qual a boa notícia? Ano que vem tem mais e será pertinho, no Rio, pra relembrar minhas aventuras pelo Riocentro, só que dessa vez, vou de carro, porque sou leitora ferrenha, mas não sou de ferro! :-)

Aconteceu na Bienal

Ele, o maior escritor infantil de todos os tempos. Ela, sua criação mais espevitada! Monteiro Lobato e Emília estiveram na Bienal. Pena que no meio de tanta programação e tantas coisas pra fazer, eu acabei não visitando a exposição em homenagem ao criador do meu tão amado Sítio do Picapau Amarelo.

Livros gigantes pra gente entrar no mundo mágico da literatura e das histórias. A Bienal é mais ou menos como o maravilhoso país de Alice. Vamos juntos?

Lindo stand da Madras com obras bem esotéricas e seu belíssimo símbolo, Ganesha, na entrada.

Apenas 1 centímetro. O menor livro do mundo é uma Bíblia em espanhol.

Comprei um minilivro da história de Alice no País das Maravilhas, com 5 x 6,5 cm. Lindo acabamento, ótima legibilidade e perfeita edição. Recomendo.

O mais clicado: Homem de Ferro no stand super transado da Panini. Milhares de revistas em quadrinhos pra todos os gostos e idades. Valeu a pena a visita.

Encontrei por lá Sherlock Holmes e Don Quixote! Trocamos boas idéias. :-)

Assisti ao debate com o tema “A língua praticada nas redes sociais e Internet”, com a participação do linguista, filólogo, professor e pesquisador Ataliba Castilho, do também linguista e professor Carlos Alberto Faraco, da professora, filóloga e autora Guaraciaba Micheletti e do blogueiro e diretor de estratégia da Agência Frog, Roberto Cassano. A discussão trouxe novas reflexões sobre a evolução da língua e pra mim, em especial, foi uma surpresa descobrir que já estudei muito nos livros de português dos autores Faraco e Moura nos tempos de escola.

Teatro de fantoches com a turma da Mônica. A garotada estava hipnotizada!

Ziraldo lançou seu livro O Menino da Terra, da Melhoramentos. A fila era digna do tamanho e da importância da obra do ilustrador e autor.

E em meio a tantas opções, tantas promoções, tantas editoras de primeira linha reunidas, me rendi e trouxe pro Rio nada menos que meus 27 livros (alguns são presentes, ok ok) comprados na Bienal do Livro de São Paulo (preciso de uma casa maior…). São contos, literatura infanto-juvenil, livros de auto-ajuda e outros mais. Estou feliz e realizada. Até a próxima!

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