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Posts Tagged ‘José de Alencar’

Hoje é o Dia Nacional do Livro e quero começar este post declarando publicamente meu amor por livros, estes objetos de desejo e sabedoria. Minha história com os livros é diferente da de tantas outras pessoas, penso. Quando criança, não tive o hábito da leitura, porque meus pais não tinham grana pra comprar livros. Isso era artigo de luxo num lar onde nem geladeira havia (a gente pegava gelo no caridoso vizinho com um potinho de isopor, pra gelar nossos sucos). Então, não tive contato com livros infantis físicos. Mas histórias? Ah, as histórias. Estas sempre me cercaram de um jeito ou de outro.

Turma da MônicaMeu pai era um contador de histórias nato. Inventava enredos e me encantava, ativando minha criativa imaginação infantil. Já minha mãe, era mais pragmática. Ela dizia que, quando eu aprendesse a ler, iria me dar de presente revistas em quadrinhos pra eu me divertir. E cumpriu sua promessa. Comprou muitas nas bancas de jornal, de onde eu voltava de olhos brilhantes de alegria, sempre da Turma da Mônica (veja um vídeo clássico dos anos 70) ou do Sítio do Picapau Amarelo, que eu adorava não só ler mas ver todas as tardes na TV. As revistas eram minhas e do meu irmão. A gente sempre aprendeu a dividir tudo, o que nos fez pessoas menos egoístas e mais humanas, eu acho. Com o tempo, cresci e as revistinhas ficaram guardadas numa caixa. Guardo minha coleção carinhosamente até hoje.

A vida se encarregou de me fazer conhecer um amigo na minha adolescência, o Jorge Brasil, hoje jornalista, mas que sempre devorou pilhas de livros. Quando soube que eu não tinha hábito de ler, me puxou pelo braço e levou na biblioteca do colégio, onde me fez o grande favor de me apresentar aos livros da Agatha Christie. Disse: “– Escolha o que quiser.” Lembro que o primeiro que li foi “O Natal de Poirot”. Adorei e li muitos desta autora. Jorge sabia das coisas e me fez ler no início algo fácil e instigante, que me cativaria e criaria em mim o hábito da leitura. Depois, outros entraram no meu gosto, como José de Alencar, José Lins do Rego, Fernando Sabino e o impagável Machado de Assis, que considero meu verdadeiro professor de redação.

Anos mais tarde, sem querer me tornei redatora. Nesta época eu já lia de tudo, de bula de remédio a lista telefônica…rs E entendi porque eu gostava tanto de escrever cartões de natal e aniversário para os amigos na adolescência, sempre com mensagens extensas e cheias de emotividade. Eu já era escritora sem saber. Um belo dia resolvi fazer uma pós. “– Em quê?”, pensei. Em Literatura Infanto-Juvenil. Foi somente aí, neste curso, que vim ter maior contato com livros para crianças, aqueles que me faltaram na infância, e vou contar pra vocês: foi um grande prazer escolher, tocar e ler aqueles livros como se eu tivesse de novo 10 anos. Li Monteiro Lobato (que luxo!), Ana Maria Machado, Ruth Rocha e tantos mais. Minha criança interior ficou bem satisfeita, confesso. :-)

Sítio do Pipapau Amarelo

“Um país de faz com homens e livros.” Monteiro Lobato

Hoje é o Dia Nacional do Livro, repito. Uma data para ser comemorada com pomba e circunstância. Todo mundo deveria fazer a gentileza de dar um livro de presente a uma criança pelo menos uma vez na vida. É o maior presente que podemos oferecer, para estimular nossas crianças a serem adultos melhores.

Curtam este lindo vídeo e leiam sempre. Vale a pena.

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