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Posts Tagged ‘filme’

Faz um mês que estou envolvida com o Dia dos Namorados, por conta de trabalho. Passei os últimos 30 dias lendo histórias de amor, imaginando cenas românticas, vendo fotos de milhares de casais felizes e escrevendo, escrevendo muito: sobre almas gêmeas, primeiro beijo, loucuras de amor e afins. Quando me deram o job pensei: Ferrou! Afinal, mergulhar no mundo do amor pra quem está sozinho não é lá muito agradável. Desde pequeno a gente é condicionado a acreditar que um dia vamos encontrar nossa cara metade, casar e sermos felizes. É assim nas novelas, nos filmes, sempre amores lindos e tocantes, uns dramáticos, outros de superação. Só que nem sempre acontece e muitas vezes bate aquela sensação de fracasso: “o que eu fiz de errado que não aconteceu?”.

Mas… (e mesmo nestas coisas de amor, sempre pode ter um mas) aos poucos fui descobrindo que a pesquisa e o contato com o tema, ao contrário do que pensava, estava era me fazendo bem. Tive vontade de ver filmes de amor e peguei vários esses últimos dias. Uns excelentes. Mas, chamou-me a atenção ver que na maioria os casais não terminavam juntos. Ou morria o homem, ou a mulher. Ora de tumor no cérebro (“P.S. Eu te amo”), ora de leucemia (“Um amor para recordar” e “Doce novembro”), ou ainda de outras desgraças. Uma amiga sempre me diz que o casal de “Titanic” só é modelo de amor, porque o mocinho morre no naufrágio. Afinal, eles não conviveram, não tiveram seus momentos de dificuldades juntos, nem contas pra pagar, filhos pra educar, etc. “Assim é fácil amar!” Será por isso os finais com tantas perdas? Talvez os roteiristas possam explicar. Talvez as histórias precisem de finais inusitados, fora do lugar comum e, se todo mundo acabasse feliz pra sempre, como nos contos de fadas, que graça teria? Talvez não desse tanta bilheteria. Sinceramente? Às favas com as bilheterias… Será que não há amor possível com seus prazeres e também com as dores?

Hoje vi “Diário de uma paixão” e seguramente foi o mais tocante de todos os filmes desta minha fase “apaixonada”. Ninguém morre! Ufa! Mas… a mulher sofre de uma doença degenerativa que lhe tira a memória. É bonito ver a dedicação do homem, que se muda para o asilo para ficar perto de sua esposa e contar-lhe toda sua história de amor registrada em um diário. Seu intuito é fazer com que se recorde dele, o homem que sempre a amou. Por poucos minutos, ela lembra e revivem momentos mágicos, mas que logo cessam. É tocante esta cena, quando a memória da mulher foge e ele se desespera, tentanto fazer sua amada “voltar”. O filme tem cenas lindas também. A mais poética é quando os dois ainda jovens passeiam de barco num lago com centenas de patos. Uma imagem que acalenta e merece ser guardada.

diário de uma paixãoSão roteiros assim que nos fazem voltar a acreditar que o amor existe e desejar isso pra gente, principalmente nestes tempos de encontros tão fugazes e vazios. Um amor que vive dificuldades reais, mas que se perpetua, apesar de tudo. Anos atrás, um amigo me contou uma história romântica, que também fala de obstáculos, dores e perdas. Mas no final, o amor realmente vence. Gostaria de tê-la escrito, mas como não o fiz, pelo menos a compartilho aqui com vocês. Feliz Dia dos Namorados!

“Certa feita, o cravo encontrou a rosa. E, neste momento, descobriram o amor. Logo surgiu a primeira adversidade, os espinhos da rosa impediam que o cravo a abraçasse. Pois a cada tentativa, este feria-se. Muitas tentativas fez o pobre cravo para sentir totalmente a rosa e inúmeras e inúmeras vezes teve o seu caule ferido e suas pétalas rasgadas.

– Como posso viver a plenitude deste amor se não posso sentir a minha amada totalmente, como? Pensava o cravo.

A rosa desolada com tal situação pensava em sacrificar-se ao seu amor estirpando os próprios espinhos. Contudo sabia que se assim o fizesse, não viveria muito mais.

– Ah… tanto amor. Falou a rosa.
– Como te quero. Replicou o cravo.

Será que tal amor não veria o seu ápice nunca? Será que o Criador colocou-me com este sentimento o qual nunca viverei plenamente? Questionava o cravo.

Um dia, porém, uma criança brincando, ao chutar uma bola inadvertidamente, acertou o vaso onde estava o cravo projetando-o ao chão.

– Oh, meu amor! Exclamou a rosa já em prantos, achando ser essa a última vez que veria o seu amor.

Passado algum tempo, a mãe da criança apercebeu-se do acontecido e, na falta de outro vaso, replantou o cravo junto da rosa. O cravo necessitou de cuidados especiais, água, luz solar, nutrientes orgânicos e, após árdua recuperação, estava novamente belo e radioso. E muito mais próximo de sua amada. Contudo, perdurava o seu dilema. Não poderia abraçar a rosa. Mas isso já não lhe importava, graças ao “acaso”, ao cuidado daquele humano e ao amor que ele a rosa possuíam, suas raízes misteriosamente uniram-se e passaram então a compartilhar a forma de nutrir-se cada qual na medida exata para que os mesmos nutrientes vivificantes contidos naquela terra pudessem ser absorvidos e manter vivo a sua alma gêmea.

Benício, 05/06/1998”

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