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Posts Tagged ‘ética’

Viajei esta semana no ônibus com cinco meninas na faixa dos 8 a 10 anos. Estavam vestidas a caráter, pois vinham do ballet. Conversavam alegremente, riam e emanavam aquela energia gostosa que só as crianças têm. Mais pareciam bailarinas de Degas.

Fiquei a observá-las curiosamente, ora lembrando minha própria infância, quando minha mãe sonhava que eu também me tornasse uma linda bailarina, ora pensando em como seria bom se, no mundo, todas as crianças tivessem a mesma chance: aprender uma arte. Assim como eu não tive, milhares pelo mundo a fora também não têm esta oportunidade. Muitas não têm sequer uma refeição por dia. Outras se perdem em tenra idade e não chegam a completar uma década, como aquelas alegres dançantes.

Diante daquela cena, me peguei a pensar em algo que sempre retorna em minha mente. É um tema recorrente e uma pergunta: o que temos feito pelas nossas crianças? Vivemos em um mundo tão conturbado, tão violento, tão cheio de desigualdades, com tantos desequilíbrios, uns com tanto, outros sem nada, que fico a pensar no que posso fazer dentro da minha esfera de ação para dar um mínimo de contribuição que seja pelo meu planeta. E só me vem à cabeça uma palavra: crianças.

A tão falada sustentabilidade não se resume a gestos corajosos de ONGs que lutam pela natureza. Também não é apenas evitar os saquinhos plásticos no supermercado. Pra mim, ser sustentável é ter atitudes que valorizem a vida e, sobretudo, o ser humano. Pois um mundo com pessoas “não-sustentáveis” não poderá ser sustentável e muito menos sobreviver. E onde tudo isso começa? É lá, na infância.

Penso: como posso ajudar uma criança a ser uma pessoa íntegra? Como esta criança pode crescer e se tornar uma Pessoa, no melhor sentido do termo? Como posso contribuir para que as crianças adquiram consciência ecológica, de cidadania? E por ecológico não entendo apenas o que diga respeito à natureza. Pra mim, o mais relevante é a ecologia humana, é gerar a nutrição de nossas crianças com afeto, com auto-estima, com oportunidades, com educação de qualidade, com valores éticos e humanos, para que se tornem o melhor que puderem ser, para que vivam suas vocações, respeitando os talentos, os limites, as capacidades de cada um. Respeito: taí, essa palavra combina muito com sustentabilidade.

Sou uma sonhadora e quero fazer mais. Quero fazer pelas crianças, pois elas saberão levar adiante novos ideais. Estão livres dos ranços passados, são espontâneas e criativas, até que as aprisionemos em padrões atrasados e egoístas. São como uma terra fértil e adubada, à espera de nossas boas sementes. Plantemos, então.

(Este artigo foi publicado em 15 de maio de 2010 no blog Ponto Marketing, sendo escolhido o ganhador do Concurso “Os caminhos da Sustentabilidade”.)
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Educação. Esta palavra deveria estar escrita num quadro na parede de todo político, legislador e administrador deste país. Quem sabe assim, não lembrariam do que é realmente importante e que faz um povo evoluir e crescer de fato. Hoje, 28 de abril é o Dia da Educação. É difícil a gente dizer que pode comemorar, quando vemos nossas crianças tão longe da realidade que a verdadeira educação oferece.

Há aquele velho embate. As escolas dizem que a educação é responsabilidade dos pais. Os pais, empurram para os professores. E assim, ficam as crianças e jovens entregues à própria sorte e fomentando valores bem pouco nobres. A educação comporta não só as disciplinas escolares, que ajudam a desenvolver as faculdades intelectuais, linguísticas e físicas. Mas também a ética, a responsabilidade, o respeito ao direito de todos, a igualdade, o viver em sociedade com tolerância e flexibilidade.

Jesus foi o maior educador de todos os tempos. Senão vejamos: ensinou toda a sua filosofia, vivenciando-a e exemplificando-a, logo, tinha grande autoridade moral e conhecimento de causa; usou uma linguagem que seus “alunos” pudessem compreender bem, com referências próximas e através de histórias (as famosas parábolas) para que melhor assimilassem seus conceitos; estimulou as virtudes de cada um; não acobertou os erros de ninguém, mas também não estimulou castigos, apenas corrigiu com amorosidade e firmeza. É ou não é o melhor “mestre” que já tivemos, na melhor acepção da palavra?

Imaginemos Jesus a mimar seus discípulos, ou a praticar o inverso do que dizia? Imaginemos se cedesse a chantagens emocionais? Se se envaidecesse a ponto de guardar seu conhecimento somente para si com medo de perder seu “posto”? Imaginemos se não soubesse dar limites e fosse pela cabeça dos fariseus, saduceus e tantos outros que compunham as correntes políticas e religiosas da época? Como temos que aprender com Ele, não é? Nós, primeiramente, para depois termos melhores condições de dar uma Educação real a nossas crianças.

Procurei no Michaelis as definições (adoro definições de dicionários, coisas de redatora…rs). E lá está:

  • Educação sf (lat educatione) 1 Ato ou efeito de educar. 2 Aperfeiçoamento das faculdades físicas intelectuais e morais do ser humano; disci­pli­na­mento, instrução, ensino. 5 Civilidade. 6 Delicadeza. 7 Cortesia.
  • Educar (lat educare) Formar a inteligência, o coração e o espírito de.

Se isso não é tudo que precisamos para este país entrar numa ascendente de desenvolvimento, não sei dizer o que pode nos salvar. O mundo só vai mudar pela reforma de cada um de nós. Só acredito no desenvolvimento humano, que é o que torna capaz todos os demais desenvolvimentos: econômico, social, moral, etc. E é baseado nisso que imagino o porquê de Jesus afirmar com tamanha poesia:

“Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.” (Mateus, 5:13-16)

Que no dia de hoje possamos reafirmar um compromisso com nossa auto-educação e com aqueles que nos foram dados a orientar.


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