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Posts Tagged ‘criança’

Acordei, dia lindo. Sol, céu sem uma nuvem. Dia das Crianças. Elas bem que mereciam esta paisagem soberba e alegre. Um show da mãe (generosa) natureza. Fui até o Campo de São Bento, ver o movimento, ver as crianças, pegar um pouco desta boa energia que tanto me faz bem. Pra acompanhar, pensei: – Vou levar um livro! Puxei o primeiro que vi na estante e, por uma dessas “coincidências”, era um da Ana Maria Machado: “Bem do seu tamanho”.


Livro em punho, ecobag de pano lindinha da Anima Mundi, lá fui eu pela estrada afora. Antes de ir para as reinações (não as de Narizinho, mas as minhas mesmo), uma passadinha na Igreja da Porciúncula de Sant´Anna, pra pegar uma benção de Nossa Senhora Aparecida, grande homenageada do dia, e dos santos protetores das crianças, ou Ibejis, o que, pra mim, é a mesma coisa. O importante é ser benção, não é?

No Campo de São Bento, visitei a feirinha de artesanato. Tantas coisas lindas e mais ainda as coisas para crianças e bebês. Só fez aumentar a vontade de ter meu filhote. Como não tenho e meu sobrinho já tá muito grandinho pra certos bibelôs, resolvi comprá-los pra outra criança: a minha. Comprei dois bonequinhos de pano muito fofos e bem feitos, os quais batizei de Ted e Lupi. Sim, me dou o direito de comprar o que eu bem entender no Dia das Crianças. Aliás, não só neste dia, mas em qualquer outro, porque eu mereço mesmo. :-)

Da feira fui direto pro parquinho, entupido da meninada correndo e gritando loucamente. Alguns diriam que era uma visão de Dante, mas eu não. Como já dizia “sir” Ronald McDonald, “amo muito tudo isso”. Fui olhando os pequenos se divertindo na pista de patins, no coreto (sim, o Campo de São Bento tem um lindo coreto, como nas cidades do interior!) e nos brinquedos elétricos. Eu disse elétricos, não digitais (não havia nenhuma criança com gameboy, ipod, ipad e outros Apples).

Eram brinquedos como o carrossel, o elefantinho e o carrinho de corrida, ideal para a criançada miúda (que não pode andar nos brinquedos para os maiores).


E o super-mega-hiper-master “carrinho que bate”? Oficialmente é chamado de Auto-pista. Na minha infância, brinquei muito sob as árvores grandiosas do Campo de São Bento e disputei muita corrida neste brinquedo, com a adrenalina a mil, fugindo dos meus amigos meninos, que sempre queriam destroçar os carrinhos das meninas (sempre a guerra dos sexos!).

Também me recordo do sobe e desce do carrossel com seus cavalinhos coloridos. Era um tempo feliz, sem pressa pra acabar.

E de como a gente ficava à beira do lago pescando peixinho com uma rede fininha. Pescávamos os peixes coloridos e os guardávamos num vidro de maionese com água. Bem pouco ecológico, confesso, mas como éramos felizes. O chafariz era um evento à parte. Esperávamos ansiosamente ligarem os jatos de água, parte por parte, até completar o último, mais alto, ao centro. Cheguei a passar um dia inteiro à beira do lago, desenhando o chafariz para concorrer num concurso promovido no local. Lembro ainda do desenho com toda nitidez e da minha mãe que me acompanhou, incansável, o dia inteiro: de manhã, na volta pra casa pra almoçar, e no retorno de tarde, pra que eu completasse minha obra de arte.

Agradeço a ela pelo incentivo à minha criatividade, ainda que eu não tenha ganho o concurso “por pouco”, como disseram os organizadores. Posso não ter ganho um prêmio, mas levei pra casa a certeza do meu talento, reconhecido de perto pelo olhar amoroso e companheiro da minha mãe.

Vi também nesta minha incursão no Dia das Crianças algumas não tão felizes, conflitos de família, pais agressivos, crianças bem mal-criadas. Mas é a vida, nem tudo é perfeito.

Sentei em um banquinho na sombra e fui curtir meu livro, comendo uma pipoca salgada. “Era uma vez uma menina. Não era uma menina deste tamanhinho. Mas também não era uma menina deste tamanhão. Era uma menina assim mais ou menos do seu tamanho.” Que surpresa! O livro falava de ser pequeno grande e ser grande pequeno. Tudo a ver com meu dia de criança no Campo de São Bento. Que bom que a vida é cheia de boas coincidências, como esta. E que ainda mora uma bela criança em meu coração, que tem o tamanho da minha espontaneidade, minha criatividade e minha alegria. E a sua criança, por onde anda?

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A experiência me diz que, na vida, existem três categorias de sonhos. O que a gente sonha e um dia realiza. O que a gente sonha e nunca acontece, mas que nos move em direção a muitas outras coisas. E o sonho que muda com o tempo.

Explico. Quando criança, eu queria muito ser desenhista. Adorava desenhar – acho que deixei esta herança para o meu sobrinho – e vivia copiando formas e imagens (veja duas das minhas obras acima), até dos desenhos a que assistia na TV. Comprei livros de desenho, fiz cursos vários: desenho, desenho de propaganda, desenho de serigrafia, desenho animado e até de desenho de modelo vivo, esse há poucos anos, no Parque Lage.

Achava mesmo que viraria artista. No vestibular, queria Belas Artes, mas esbarrei no mundo real e vi que ou estudava  ou trabalhava, porque era no horário comercial. O imperativo da vida prática me levou a buscar uma outra carreira, mas que me colocasse perto da criação, da criatividade. Então, fui parar na Comunicação Social, mais especificamente, na Publicidade.

Outro sonho de infância era ser dançarina. Não bailarina, pois nunca apreciei o ballet clássico. Gostava do jazz, adorei o filme “Flash Dance” e vivia imitando pela casa as coreografias dos videoclips da TV, como os do Michael Jackson. A dança dos zumbis em “Thriller” era clássica, assim como o Moonwalker, marca registrada do astro pop. Como não pude fazer aulas devido às condições financeiras da família, cresci com este sonho guardado no bolso até que, quando adulta, fui para a dança de salão, onde resgatei algo deste contato com o dançar.

Domingo passado revi “This is it”, que mostra os bastidores da última turnê mundial que o Michael Jackson faria. E este filme me fez relembrar dos sonhos, sobretudo os não realizados. Ver aquela seleção dos dançarinos (os melhores do mundo) que iriam fazer parte do show foi bem marcante. Imaginei-me eu mesma lá, dando o meu melhor pra dançar com um dos melhores dançarinos de todos os tempos. Quanta alegria para os que foram selecionados! Aqueles que, na descrição do diretor, “tinham um algo a mais”. Mas o pior foi vê-los fazendo coisas incríveis com seus corpos, saltando no ar, desafiando a gravidade, a flexibilidade, os limites e saber que, no final das contas, não realizaram o sonho de subir ao palco no show do artista mais emblemático dos últimos tempos.

Triste. Eu lamentei profundamente. Tanto os sonhos perdidos quanto a perda de um ser humano que levava seu talento pessoal ao máximo de sua expressão. Michael era um astro completo.

Mas foi depois de muito meditar sobre o tema que cheguei a nova conclusão. Acho que aqueles dançarinos, assim como os músicos, os cantores, foram realmente pessoas de muita sorte. Porque, afinal, dançaram, tocaram e cantaram com o maior de todos. Realizaram sim seus sonhos. Deram o melhor que puderam. E no final, ainda que o show não tenha acontecido, foi lançado o filme que os exibiu para o mundo. Sonho realizado, não? Eu penso que sim.

E nesse assunto de sonhos tem coisas bem curiosas. Tem gente que, sem querer, acaba realizando um sonho de muitos através de uma simples “dancinha”. Conhecem o Matt? Ele fez o que eu adoraria ter feito. Conheceu 42 países do mundo apenas dançando. Quem não quer? :-)

A todos que ainda acreditam em seus sonhos, meu caloroso e dançante abraço. Tudo é possível e é preciso não perder o ânimo nunca. E mesmo que um sonho não seja realizado da forma exata como planejamos, nosso coração é capaz de nos levar a novos lugares. Talvez não o palco do show do Michael Jackson, mas às telas dos cinemas do mundo todo em “This is it”, ou ainda a muitos caminhos mais. E você, qual seu sonho? Compartilhe aqui. Vou gostar de saber.

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Viajei esta semana no ônibus com cinco meninas na faixa dos 8 a 10 anos. Estavam vestidas a caráter, pois vinham do ballet. Conversavam alegremente, riam e emanavam aquela energia gostosa que só as crianças têm. Mais pareciam bailarinas de Degas.

Fiquei a observá-las curiosamente, ora lembrando minha própria infância, quando minha mãe sonhava que eu também me tornasse uma linda bailarina, ora pensando em como seria bom se, no mundo, todas as crianças tivessem a mesma chance: aprender uma arte. Assim como eu não tive, milhares pelo mundo a fora também não têm esta oportunidade. Muitas não têm sequer uma refeição por dia. Outras se perdem em tenra idade e não chegam a completar uma década, como aquelas alegres dançantes.

Diante daquela cena, me peguei a pensar em algo que sempre retorna em minha mente. É um tema recorrente e uma pergunta: o que temos feito pelas nossas crianças? Vivemos em um mundo tão conturbado, tão violento, tão cheio de desigualdades, com tantos desequilíbrios, uns com tanto, outros sem nada, que fico a pensar no que posso fazer dentro da minha esfera de ação para dar um mínimo de contribuição que seja pelo meu planeta. E só me vem à cabeça uma palavra: crianças.

A tão falada sustentabilidade não se resume a gestos corajosos de ONGs que lutam pela natureza. Também não é apenas evitar os saquinhos plásticos no supermercado. Pra mim, ser sustentável é ter atitudes que valorizem a vida e, sobretudo, o ser humano. Pois um mundo com pessoas “não-sustentáveis” não poderá ser sustentável e muito menos sobreviver. E onde tudo isso começa? É lá, na infância.

Penso: como posso ajudar uma criança a ser uma pessoa íntegra? Como esta criança pode crescer e se tornar uma Pessoa, no melhor sentido do termo? Como posso contribuir para que as crianças adquiram consciência ecológica, de cidadania? E por ecológico não entendo apenas o que diga respeito à natureza. Pra mim, o mais relevante é a ecologia humana, é gerar a nutrição de nossas crianças com afeto, com auto-estima, com oportunidades, com educação de qualidade, com valores éticos e humanos, para que se tornem o melhor que puderem ser, para que vivam suas vocações, respeitando os talentos, os limites, as capacidades de cada um. Respeito: taí, essa palavra combina muito com sustentabilidade.

Sou uma sonhadora e quero fazer mais. Quero fazer pelas crianças, pois elas saberão levar adiante novos ideais. Estão livres dos ranços passados, são espontâneas e criativas, até que as aprisionemos em padrões atrasados e egoístas. São como uma terra fértil e adubada, à espera de nossas boas sementes. Plantemos, então.

(Este artigo foi publicado em 15 de maio de 2010 no blog Ponto Marketing, sendo escolhido o ganhador do Concurso “Os caminhos da Sustentabilidade”.)

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