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Posts Tagged ‘budismo’

Faz um tempo aprendi com meu amigo, Leo, sobre a sangha. É um termo que os budistas usam muito e que significa uma comunidade, um grupo de pessoas que se une em prol de um ideal, no caso, para estudar e praticar o dharma, nome dado para designar os ensinamentos do Buda. Se a gente for levar o conceito para nossas vidas digitais, a sangha poderia ser sua rede social, o grupo virtual do qual você faz parte. Eu prefiro pensar na sangha como aquele grupo de pessoinhas mais que especiais sem os quais a gente não vive. Pessoas reais mesmo, de carne e osso, que a gente pode tocar e abraçar e se sentir mais vivo.

“… a Sangha é o solo e somos a semente. Não importa o quanto seja bonita e vigorosa nossa semente, se o solo não nos provê vitalidade, nossa semente morrerá.”


O ano de 2010 já está dobrando a esquina e quero deixar aqui registrado e compartilhar com minha sangha de leitores do blog que foi um ano muito feliz e abençoado, depois de um 2009 bem trevoso pra mim. É como diz a voz do povo: depois da tempestade vem a bonança. E veio mesmo. Mas este ano só foi o ano bom e especial que foi por duas razões: 1. Mudei. E retirei da minha vida um bocado de ervas daninhas que empesteavam meus jardins. Olha, como as rosas floresceram, como os lírios se abriram, como os jasmins exalaram seu doce perfume! 2. Reencontrei minha sangha.

“Se não temos uma Sangha que nos dê suporte, podemos não estar obtendo o tipo de apoio que precisamos para nossa prática, que precisamos para nutrir nossa bodhicitta (o desejo forte de cultivar amor e entendimento em nós mesmos).”


Quando a gente fica muito sozinho no mundo, longe das pessoas que realmente valem a pena, tudo fica mais difícil, as forças se esvaem, os  sonhos se despedaçam ao sabor de qualquer brisa. Mas eu reencontrei minha sangha, meus amigos de verdade, aqueles que me amam com tudo que eu tenho, minhas qualidade e meus defeitos, sobretudo, meus defeitos. Ser amigo só das qualidades, qualquer um é. Mas amigo apesar de… é que pega. É pra poucos e bons. É pra amigo de VERDADE. Se você tem um amigo assim, um que seja, parabéns, você já tem sua sangha.

“A essência da Sangha é consciência, entendimento, aceitação, harmonia e amor.”


A todos vocês, amigos mesmo, que me ajudaram, que se fizeram presentes em minha vida neste lindo ano que chega ao fim, meu mais profundo amor e gratidão. Sem nossa sangha fica muito mais difícil ser feliz. Peço licença para um agradecimento realmente especial para algumas pessoas: Érica, Anderson, Eduardo, Franciny, Wagner, Inácio, Marta, Conceição e Antonio Carlos. Muito obrigada por tudo e pelo elo de amor e boas energias que nos unem.

Feliz 2011, queridos! Obrigada pela audiência em meu blog. Deixo aqui um vídeo de presente. Que no ano que chega possamos agir assim, dando amor de graça, simplesmente por amar. Vejam e se emocionem. Amo vocês.

* as citações neste post são do Mestre Thich Naht Hanh
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Estou aqui escrevendo este post inspirada pelas águas de março, que caem lá fora, aquelas mesmas que fecham o verão e banham muitas vezes o dia do meu aniversário. Sim, sou de peixes, do dia 12. Sou das águas, das águas profundas, águas de Iemanjá. Chove. E o verão vai dando traços de adeus. Em breve, será outono e o furor das altas temperaturas terá passado.

Ultimamente, o que mais me apanho a dizer é: “tudo é impermanente”. Aprendi isso com um amigo budista. Significa dizer que tudo passa. Toda dor e também toda alegria. Tudo. Por um lado, é um consolo saber que todo o nosso sofrimento passa. Pra quem está em trevas e não vê luz no fim do túnel, é uma grande benção saber que vai acabar. Mas e a felicidade? E o amor? Esses também passarão.

No filme Ghost, o personagem do Patrick Swayze nunca dizia que amava a esposa. Dizia apenas “Idem”. Seu medo era que o momento de felicidade acabasse. Por isso, nunca conjugava o verbo mais cobiçado: amar. Mas não tem jeito. Tudo, tudo passa. O amor, a dor, a vida. Menos nas novelas e finais de contos de fadas, em que todos são felizes “para sempre” e os maus são punidos, também “para a eternidade”. Só que isso é ficção e a ficção é feita por homens, que ainda não descobriram a inescapável efemeridade das coisas.

Março é o fim do ano astrológico e inaugura o começo de outro giro zodiacal. Finalmente 2010 vai começar de fato e regido por Vênus. E, pra mim, é o fim de mais um ano de vida, desta vez, de uma década. Mas que bom que a impermanência faz nascer algo novo, não é? No Feng Shui se explica isso. A natureza não gosta de espaços vazios. E quando jogamos algo fora, a vida preenche com algo novo. Então, tudo passa. Mas também tudo se renova. Eis a beleza das coisas.

Já que a impermanência é uma lei da vida, é sábio seguir neste mundo com desapego das situações, do que possuímos e das pessoas, principalmente das pessoas. Pra gente, que vive com a ilusão de que temos um trabalho, um amor, um filho, um projeto, crer que não temos absolutamente nada, que nada nos pertence, ao contrário, tudo um dia acabará, no mínimo, porque se transformou em outra coisa, é pura sabedoria. Evita ansiedades, sentimentos de perda, depressões, raivas. Nossa!

Março faz findar um tempo e começar outro. Assim como eu, que morro e renasço neste mês pisciano do meu aniversário. Findo aqui um pedaço de mim, que se transforma, na esperança de um novo tempo, mais feliz, menos apegado, logo, menos sofrido. Vamos lá. Fluir na dança da vida, no seu ritmo e no seu movimento. Feliz ano novo pra todos. Feliz aniversário para mim. E um salve para a impermanência.

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Diz o ditado “Deus deu uma vida pra cada um, pra cada um cuidar da sua”. Então, vou aproveitar a sabedoria popular para criar minha paráfrase: “Deus deu um blog pra cada um, pra cada um cuidar do seu.” Explico. Há alguns dias encontrei uma amiga e, conversando sobre o que ambas estávamos fazendo de bom, ela me perguntou:

– Você tem blog?

– Sim – respondi.

– Mas é um blog profissional?

Começa aí o ponto do incômodo. O que seria um blog profissional? Melhor dizendo: o que seria um blog profissional para uma redatora, como eu? Pensei. Pensei… Meu blog não é profissional? Depende do ponto de vista.

Certamente a amiga em questão esperava que eu escrevesse sobre assuntos mais “sérios”, suponho. Há blogs sobre marketing, sobre inovação, sobre gestão de conhecimento, sobre gastronomia e até sobre budismo (todos ótimos dentro de suas propostas e escritos por grandes amigos). Mas e o meu blog? Pra mim é de uma seriedade imensa, embora o tempo me traia na atualização constante. Afinal, nele trato de memórias e histórias. Se você lembrar que sou redatora, isto está altamente de acordo com minha profissão, que afinal é: escrever.

É curioso. Blogs de assuntos empresariais são profissionais. Outros se enquadrariam mais como blogs de comportamento e outros ainda  como pessoais (acho que foi nesta categoria que minha amiga quis me enquadrar até com certo desdém). Bem, vamos lá. O site Museu da Pessoa é profissional ou pessoal? Afinal, seu conteúdo são histórias pessoais. Diga-se de passagem é uma grande idéia, que muito me atrai.

Se a gente for olhar mais a fundo a controvérsia que gerou este post podemos dizer que o problema é a velha dicotomia entre emoção e razão. Blogs pessoais são emocionais. Blogs profissionais são racionais, trazem informação “relevante”. E aqui cabe a pergunta: relevante pra quem? Já li histórias de vida que foram muito mais relevantes pra mim do que tratados de marketing ou economia. O que faz a relevância? O que faz um bom conteúdo? Depende muito de quem lê e com qual fim. Se a escritora de Harry Potter, J. K. Rowling, tivesse ouvido as críticas que certamente surgiram no seu caminho até virar best-seller, teríamos perdido muito do sonho, da imaginação, da fantasia, da emoção enfim. Que bom que ela escreveu literatura fantástica e não sobre assuntos “racionais”. Há lugar para todos, penso eu.

Bom seria se todos os blogs fossem não só profissionais, mas também pessoais, recheados de opinião verdadeiramente. E não cópias muitas vezes de outras matérias divulgadas aos bilhões pela web. Quem me lê sabe que busco escrever a partir da veia e do coração. E isso pra mim é altamente sério, altamente necessário, e altamente profissional. Sou uma contadora de histórias, minhas ou não. Então, tomem seus acentos e vamos juntos seguir viagem, independente do que o senso comum aceite como importante ou não. Todos estão convidados.

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