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Posts Tagged ‘Boas Notícias’

Tempos atrás, num curso de contadores de histórias no Paço Imperial – o qual eu recomendo muitíssimo –  aprendi boas e calorosas lições. O professor, ou melhor, o contador era “seu” Francisco Gregório Filho, um senhorzinho calmo, voz mansa, barbas longas e branquinhas  (parecia um Santa Klaus tupiniquim), que acordava quatro e meia da madrugada todo dia pra preparar um café quentinho e decorar histórias “pra poder contá-las sem mudar o que o autor escreveu”. Na segunda aula, pediu que levássemos algo gostoso para o lanche, mas tinha que ter sido feito com nossas próprias mãos. Ele sabia o valor da energia do afeto, que impregna tudo que fazemos com boa vontade e amor. Uma figura rara e preciosa, dessas que o mundo teima em extinguir, mas que persistem por aí.

“Seu” Chico nos falava de histórias, histórias que encantam, que tocam, que transformam. E, numa tarde de sol, entre um “era uma vez…” e um “…entrou por uma porta, saiu pela outra…”, nos ensinou a fazer o Livro das Boas Notícias. Dizia que na TV tinha tanta coisa ruim, que a gente precisava fazer o livro das boas notícias, pra colocar nele todo dia uma boa coisa que a gente ficasse sabendo do mundo. Fazer um livro das boas notícias foi uma ótima notícia para mim, acostumada a multiplicar as reclamações e os comentários negativos. Recortamos papéis coloridos, fizemos uma capa bonita e, depois de pronto, era pra gente escrever nossas boas notícias lá.

Confesso que o meu livro ficou só na confecção. No mais, em branco. Nunca escrevi uma palavra. Pena. Mas, sendo uma profissional da web e uma redatora digital, adaptei a idéia, porque ela é muito boa e me tocou, e fiz um arquivo de Word onde fui escrevendo as boas coisas que me aconteciam. Esse doc, porém, também ficou pra trás e nunca mais o atualizei. Por quê? Por que a gente é tão preguiçoso pras coisas boas e tão produtivo pra repassar as desgraças? Basta um crime, uma bala perdida a mais pra se ouvir comentários aqui e ali, no elevador, na fila do banco, em frente à banca de jornal.

Este blog passou perto de se tornar a mais nova tentativa de ter meu livro das boas notícias, só que online. Pensei em fazê-lo com esta finalidade, mas deixei de lado a idéia, para que fosse um espaço mais amplo, que abrangesse outros temas. No final das contas, postarei aqui minhas boas notícias também, para lembrar de olhar o copo “meio cheio” e confirmar que a vida ainda vale a pena, e muito, apesar de tudo de ruim que se vê por aí.

E foi em meio a este sentimento, acalentando a idéia do senhorzinho de barbas brancas contador de histórias, que recebi uma foto que aqui divulgo com prazer. Este é o espírito que desejo alimentar. Trazer boas notícias, boas palavras e fazê-las ecoar. Se tiverem as suas, amigos, me enviem e, sempre que possível, tentarei incluí-las em minha casinha virtual. Abraço a todos e até a próxima boa notícia!

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