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Posts Tagged ‘Bienal do Livro’

Pra ir na Bienal a gente pegava quatro ônibus e, vou te contar, ia feliz. O prazer de ver tantos livros juntos e tantas coisas legais acontecendo era grande e valia o sacrifício. Ainda dá pra lembrar o gosto do cachorro quente que a gente comia depois de andar muitas horas só olhando, sem nada comprar. Afinal, a grana na juventude sempre é curta. Mas a diversão era garantida. A volta que era cruel. Enfrentar a fila imensa pra pegar ônibus até o Alvorada e, de lá, mais três até Niterói. Era uma dureza, mas a sensação no saldo final era boa: fomos à Bienal do Livro!

Achei que nunca faria sacrifício maior pra ir neste evento. E não é que este ano me deu a louca e resolvi pegar seis horas de viagem até São Paulo pra participar? Fui e foi sensacional. Meus olhos hoje são bem diferentes dos de antigamente. Vejo as editoras com o olhar da profissional de comunicação, vejo as palestras com sede de saber, vejo os livros como objetos possíveis de serem adquiridos (sim, comprei muitos este ano, mas tudo por uma pechincha devidamente garimpada!).

Este ano foi o da temática sobre os e-readers e livros digitais. Cada curva de stand só se falava disso. Vai pegar? Não vai? O livro de papel vai acabar? Aff, gente! Parem com isso. O livro não vai acabar NUNCA! Não se depender de leitores ávidos e contumazes como eu…rs Não sou absolutamente contra a tecnologia e quero mais é ter o meu e-reader, mas o prazer de uma estante cheia e colorida, ninguém me tira. Um dia hei de ter a minha.

Pra contar pra vocês como foi a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, melhor é recorrer às fotos que tirei. Ah e sabe qual a boa notícia? Ano que vem tem mais e será pertinho, no Rio, pra relembrar minhas aventuras pelo Riocentro, só que dessa vez, vou de carro, porque sou leitora ferrenha, mas não sou de ferro! :-)

Aconteceu na Bienal

Ele, o maior escritor infantil de todos os tempos. Ela, sua criação mais espevitada! Monteiro Lobato e Emília estiveram na Bienal. Pena que no meio de tanta programação e tantas coisas pra fazer, eu acabei não visitando a exposição em homenagem ao criador do meu tão amado Sítio do Picapau Amarelo.

Livros gigantes pra gente entrar no mundo mágico da literatura e das histórias. A Bienal é mais ou menos como o maravilhoso país de Alice. Vamos juntos?

Lindo stand da Madras com obras bem esotéricas e seu belíssimo símbolo, Ganesha, na entrada.

Apenas 1 centímetro. O menor livro do mundo é uma Bíblia em espanhol.

Comprei um minilivro da história de Alice no País das Maravilhas, com 5 x 6,5 cm. Lindo acabamento, ótima legibilidade e perfeita edição. Recomendo.

O mais clicado: Homem de Ferro no stand super transado da Panini. Milhares de revistas em quadrinhos pra todos os gostos e idades. Valeu a pena a visita.

Encontrei por lá Sherlock Holmes e Don Quixote! Trocamos boas idéias. :-)

Assisti ao debate com o tema “A língua praticada nas redes sociais e Internet”, com a participação do linguista, filólogo, professor e pesquisador Ataliba Castilho, do também linguista e professor Carlos Alberto Faraco, da professora, filóloga e autora Guaraciaba Micheletti e do blogueiro e diretor de estratégia da Agência Frog, Roberto Cassano. A discussão trouxe novas reflexões sobre a evolução da língua e pra mim, em especial, foi uma surpresa descobrir que já estudei muito nos livros de português dos autores Faraco e Moura nos tempos de escola.

Teatro de fantoches com a turma da Mônica. A garotada estava hipnotizada!

Ziraldo lançou seu livro O Menino da Terra, da Melhoramentos. A fila era digna do tamanho e da importância da obra do ilustrador e autor.

E em meio a tantas opções, tantas promoções, tantas editoras de primeira linha reunidas, me rendi e trouxe pro Rio nada menos que meus 27 livros (alguns são presentes, ok ok) comprados na Bienal do Livro de São Paulo (preciso de uma casa maior…). São contos, literatura infanto-juvenil, livros de auto-ajuda e outros mais. Estou feliz e realizada. Até a próxima!

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A gente se conheceu sem que eu esperasse. Foi através de um amigo em comum, o Jorge. Ele vivia me falando do meu pretendente, de como seria ótimo eu conhecê-lo, de como a gente iria se divertir juntos, porque tinha tudo a ver um com o outro. Eu vivia por aí a contar histórias da família, coisas que me aconteciam, situações engraçadas, outras trágicas, cenas que eu via no cinema, na TV. Ele também sabia um montão de histórias. Como a gente nunca tinha se esbarrado antes?

O primeiro encontro aconteceu na biblioteca da escola, o antigo e tradicional Liceu Nilo Peçanha em Niterói. Eu tinha só 14 anos e era uma adolescente que vivia sonhando com um grande amor. Foi um encontro meio sem jeito, eu estava um pouco envergonhada, nervosa, desconfiada, nem sei. Mas o Jorge me encorajava:

– Vai! Anda, chega mais perto. Ele não morde, ora!

Lembro bem como foi. Lembro ainda do lugar, do cheiro inconfundível e de quando nossos olhares se cruzaram. Enfim, o amor… Amor de novela, de romance, de poesia, amor à primeira vista, à primeira página. Encontrei minha alma gêmea: o livro.

Essa narrativa, que alguns já conhecem, bem poderia ser o começo de um romance que contasse minha história com os livros. Uma história de amor com final feliz, como tantos contos de Cinderelas e Brancas de Neve. Esse casamento deu certo e já dura pelo menos 30 anos. É uma vida… mais que bodas de prata! Mas a sensação que tenho é que nosso amor está apenas começando e que temos ainda muita coisa linda pra aprender um com o outro, pra trocar, pra construir e crescer juntos.

Não tem livros, mas tem quadrinhos

Lá na minha meninice, eu não lia muito não. A minha família não tinha grana pra luxos e livro era supérfluo. Não que não tivesse importância, mas é que o feijão, o macarrão, o pão, valiam muito mais. Afinal, barriga vazia não entende das letras. Meus pais estudaram pouco e nunca se achegaram em livros. Então, o que lembro com clareza de contato com leitura foi em um livrinho de ilustrações, um dicionário pra quem estava aprendendo a ler. Lembro bem de uma cena em que meu pai lia as palavras pra mim, enquanto eu apontava as figuras. Foi desses momentos mágicos de contato entre pai e filha, que os psicólogos tanto falam que os livros proporcionam e incentivam.

Já com mamãe e história foi diferente. Ela me prometeu que, quando eu aprendesse a ler, me compraria revistinhas em quadrinhos. E cumpriu. Tenho até hoje uma caixa da minha coleção de revistinhas da Turma da Mônica, do Maurício de Souza, e do Sítio do Picapau Amarelo, da Editora Globo. Nossa, eu viajava nas aventuras da Mônica, Cebolinha, Cascão, Pedrinho, Narizinho, Visconde de Sabugosa, Emília… Sim, até pelo Príncipe Escamado eu me apaixonei. Eu e meus amores impossíveis…

O reencontro

Já com mais de 30 anos, resolvi fazer uma pós e encontrei uma especialização na UFF em Literatura Infanto-Juvenil. Ao fazer a inscrição foi uma alegria tão grande, que entendi que meu caminho jamais poderia ser apartado dos livros. Neste curso finalmente conheci Lobato e suas Reinações de Narizinho, Luciana Sandroni, Ruth Rocha, Bartolomeu Campos de Queiroz, Sylvia Orthof e tantos outros. Mergulhei de volta em meu mundo infantil de aventuras, de reinos, de florestas encantadas… Voltei a sonhar.

Hoje, os livros são meus melhores companheiros. Aqueles que me alegram, me tocam, me ensinam, me emocionam. E lá na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, espero entrar ainda mais neste universo e alimentar com novas idéias e novos exemplares o fogo desta minha paixão. Afinal, neste caso de amor, vou deixar de lado o poetinha e seu “que seja eterno enquanto dure” (só?). Prefiro os contos de fadas, para sermos “felizes para sempre”.

Fotos: cadedigital.com

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