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Archive for the ‘Minhas Idéias’ Category

Assisti recentemente mais uma vez ao documentário José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes, que mostra um pouco da relação do escritor Jose Saramago e sua amada, Pilar Del Río. Confesso que quando vi no cinema pela primeira vez, comecei o filme achando-o um cara triste, depressivo, niilista, orgulhoso até. Mas os minutos foram passando e fui descobrindo a alma sensível e poética deste homem que dedicou toda sua vida às letras.

O cotidiano de um escritor tão falado, para o bem e para o mal, me tocou profundamente. Sua dedicação diária ao seu derradeiro livro: A viagem do Elefante, a intimidade do casal, o cuidado de Pilar para que as críticas negativas não chegassem a Saramago, a triagem das dezenas de cartas e convites para prêmios que o escritor recebia diariamente. Vi uma mulher forte e decidida, mais uma secretária eficiente do que uma esposa. A princípio me assustei com esta dama de aço que controlava a agenda do escritor a ferro e fogo. Achei-a dona do grande Nobel de Literatura e isso me irritou (a mim e, decerto, aos portugueses que a detestam por essas e outras).

Porém, o andamento do filme vai descortinando um casal onde o amor e o respeito mútuo é a tônica. Saramago tinha verdadeira devoção à sua musa inspiradora. Pilar, grande admiração por este homem recluso. Vi uma relação de amor. Sim, amor, como é difícil se achar por aí em qualquer esquina. Numa sociedade onde a banalização do amor é grande, onde as relações são muitas vezes frívolas, passageiras, carnais apenas, ver o amor em sua melhor expressão é muito inspirador.

“Se eu tivesse morrido aos 63 anos antes de lhe ter conhecido, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora”.

Saramago tinha um método de trabalho. Escrevia duas páginas por dia do seu romance (quanta disciplina!). Caiu abalado por uma doença, ficou dias internado, saiu e, finalmente, conseguiu terminar seu livro sobre os pensamentos de um paquiderme. Pensei: o que de interessante pode haver na vida de um elefante? Só a mente genial de um escritor como Saramago pode responder. Vou ler o livro.

Pra não dizer que nunca li Saramago, tive o prazer de cruzar com A maior flor do mundo, para fazer uma seleção para a Especialização em Literatura Infanto-Juvenil na UFF. Livro lindo e delicado, cheio da poesia e profundidade do escritor. Vi no cinema Ensaios sobre a Cegueira, filme de Fernando Meirelles feito a partir do romance homônimo de Saramago. Um filme denso, triste e, a meu ver, muito negativo, já que mostra toda a decadência da sociedade e a capacidade sombria do ser humano. Dois extremos. Um livro para crianças cheio de poesia e otimismo. Um filme que exibe o quanto a humanidade é um erro, pensamento que Saramago expressa constantemente em Jose e Pilar.

Vejam o curta de animação do livro A maior flor do mundo:

Também li um livrinho fino e despretencioso chamado A última entrevista de José Saramago e o que li só confirmou minha impressão sobre este grande autor: é um homem intenso e apaixonado pela beleza das letras. Fechei a última página já com uma lista de títulos dele que desejo ler.

Saramago era um ateu convicto, que não tinha medo da morte nem acreditava num depois. Criticava a sociedade e sua capacidade destrutiva. Mas, veja que paradoxo, ao mesmo tempo mostrava toda a sua beleza e inventividade, reafirmando, ainda que não quisesse, que há Pessoas (com caixa alta mesmo) neste mundo, no melhor sentido do termo. Seres humanos, na melhor concepção da expressão. Saí do cinema naquela oportunidade mais certa que há amor neste mundo de guerras e desvarios. Há amor, há respeito, há poesia e beleza. Obrigada, Pilar. Obrigada, Saramago.

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Então tá, gente. Começou 2011. Mãos à obra pra fazermos como diz naquela mensagem do Drummond que anda circulando na rede: ter um ano novo da cor do arco-íris… Os primeiros dias de janeiro para mim são ideais pra escrever algumas metas, não planejamento, porque já aprendi a abdicar da antiga rigidez, quando definia mês a mês o que queria fazer. Não, não. O tempo passou, sábio tempo, e me ensinou a fluir mais em vez de controlar tanto. Mas fluir na direção do meu desejo, como um rio que segue seu curso em curvas, largos, quedas, mas sabendo que chegará no mar…

Tenho três grandes desejos pra 2011. Não vou contar aqui quais são. Desculpem..rs Mas já os anotei pra reforçar a mensagem em meu subconsciente. Sim, acredito muito sinceramente no que ensina o Dr. Joseph Murphy no imperdível livro O Poder do Subconsciente (baixe aqui). A gente precisa ser nosso melhor amigo, senão, não tem planejamento em planilha de Excel que nos acuda. Se você quer ser amado, quer que a vida flua com facilidade, quer ter boas pessoas no seu caminho, quer viver em paz, não há outro jeito. Tem que pensar direito. E pensar direito é pensar bem, pensar para o bem, para o seu bem e o de todos. Afinal, pra que se criticar tanto? Sejamos nossos amigos, não nossos algozes.

Faz tempo que tenho uma idéia pra escrever um post e acho que agora é o momento. Ano passado cheguei a uma conclusão muito importante na vida. Entendi que aquele bordão que fiz “a felicidade é uma escolha” precisa ser complementado. Digo isso já que nunca entendi porque eu escolhia ser feliz (claro, ninguém é maluco de escolher o contrário, não é?), mas nunca alcançava tal objetivo. Foi aí que caiu uma ficha muito boa e tive a idéia de complementar a máxima: “a felicidade é uma escolha mental”.

Como assim? É o tal poder do pensamento que a PNL tanto fala, questão de se reprogramar. Quer fazer um favor a você mesmo? Faça agora uma listinha das suas principais crenças. Não digo crença religiosa, digo aquelas frases que você vive repetindo inconscientemente e que, em geral, são bem negativas. Alguns exemplos, pra estimular você: “tudo é difícil”, “homem não presta”, “mulher só quer homem com grana”, “nunca consigo ser reconhecido profissionalmente”, “faço tudo errado”, “o mundo tá cheio de gente ruim”, “minha saúde sempre foi fraca”. Etc. ao infinito! Quem de nós já não se pegou repetindo frases assim, ou piores, como um mantra?

Por isso que digo: a felicidade é uma escolha mental. Porque é uma escolha de qual pensamento a gente vai gerar, nutrir, repetir e atrair. Não adianta querer ser feliz se a gente só pensa coisa ruim, concorda? Por melhor pessoa que eu seja, não conseguirei. Não é à toa que Louise Hay faz tanto sucesso. Não é auto-ajuda de segunda categoria, não. É um ensinamento que ela testou, uma forma de viver com mais saúde, mais alegria, mais paz, atraindo melhores situações e pessoas pra perto de nós. E olha que se você souber as coisas que ela passou na infância, vai ver que teria muitos motivos pra ficar se lamentando.

Eu aprendi que nosso pensamento pode ser representado por dois cães. Um que quer nos morder e um que balança o rabinho porque é nosso amigo. Cabe a nós decidir qual dos dois desejamos alimentar. Vamos nutrir as crenças antigas e negativas que repetimos pelos anos afora? Ou vamos ser nosso melhor amigo em 2011 e gerar idéias mais positivas? Cabe a nós a escolha, a escolha mental, em prol da nossa felicidade.

Que todos tenhamos mais cuidado com o que pensamos. Que todos contribuam para nutrir o mundo com formas-pensamento mais favoráveis para a evolução da humanidade. Que você crie um pensamento positivo, agora, lendo este meu post. É meu sincero desejo. Feliz 2011, feliz mente nova pra você, pra todos.

***

Para te inspirar, veja abaixo um vídeo com entrevista da autora Louise Hay. São 10 partes. Para ver todas, clique aqui. Vale muito a pena!

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Faz um tempo aprendi com meu amigo, Leo, sobre a sangha. É um termo que os budistas usam muito e que significa uma comunidade, um grupo de pessoas que se une em prol de um ideal, no caso, para estudar e praticar o dharma, nome dado para designar os ensinamentos do Buda. Se a gente for levar o conceito para nossas vidas digitais, a sangha poderia ser sua rede social, o grupo virtual do qual você faz parte. Eu prefiro pensar na sangha como aquele grupo de pessoinhas mais que especiais sem os quais a gente não vive. Pessoas reais mesmo, de carne e osso, que a gente pode tocar e abraçar e se sentir mais vivo.

“… a Sangha é o solo e somos a semente. Não importa o quanto seja bonita e vigorosa nossa semente, se o solo não nos provê vitalidade, nossa semente morrerá.”


O ano de 2010 já está dobrando a esquina e quero deixar aqui registrado e compartilhar com minha sangha de leitores do blog que foi um ano muito feliz e abençoado, depois de um 2009 bem trevoso pra mim. É como diz a voz do povo: depois da tempestade vem a bonança. E veio mesmo. Mas este ano só foi o ano bom e especial que foi por duas razões: 1. Mudei. E retirei da minha vida um bocado de ervas daninhas que empesteavam meus jardins. Olha, como as rosas floresceram, como os lírios se abriram, como os jasmins exalaram seu doce perfume! 2. Reencontrei minha sangha.

“Se não temos uma Sangha que nos dê suporte, podemos não estar obtendo o tipo de apoio que precisamos para nossa prática, que precisamos para nutrir nossa bodhicitta (o desejo forte de cultivar amor e entendimento em nós mesmos).”


Quando a gente fica muito sozinho no mundo, longe das pessoas que realmente valem a pena, tudo fica mais difícil, as forças se esvaem, os  sonhos se despedaçam ao sabor de qualquer brisa. Mas eu reencontrei minha sangha, meus amigos de verdade, aqueles que me amam com tudo que eu tenho, minhas qualidade e meus defeitos, sobretudo, meus defeitos. Ser amigo só das qualidades, qualquer um é. Mas amigo apesar de… é que pega. É pra poucos e bons. É pra amigo de VERDADE. Se você tem um amigo assim, um que seja, parabéns, você já tem sua sangha.

“A essência da Sangha é consciência, entendimento, aceitação, harmonia e amor.”


A todos vocês, amigos mesmo, que me ajudaram, que se fizeram presentes em minha vida neste lindo ano que chega ao fim, meu mais profundo amor e gratidão. Sem nossa sangha fica muito mais difícil ser feliz. Peço licença para um agradecimento realmente especial para algumas pessoas: Érica, Anderson, Eduardo, Franciny, Wagner, Inácio, Marta, Conceição e Antonio Carlos. Muito obrigada por tudo e pelo elo de amor e boas energias que nos unem.

Feliz 2011, queridos! Obrigada pela audiência em meu blog. Deixo aqui um vídeo de presente. Que no ano que chega possamos agir assim, dando amor de graça, simplesmente por amar. Vejam e se emocionem. Amo vocês.

* as citações neste post são do Mestre Thich Naht Hanh

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Amo gatos. Quero deixar claro que amo esses bichanos desde que me entendo por gente. Eu, a Dra. Nise da Silveira e tantos outros. E se você odeia gatos (num sei como tem gente que consegue isso), esse post não é lugar pra você. Ou talvez seja… Não, não o expulso daqui, pelo contrário, o convido. Convido a olhar para estes pequenos seres peludos e dengosos com um pouco mais de humanidade.

Ouço muita gente dizer que “gato é bicho traiçoeiro” e outras baboseiras semelhantes. Mas, vou te falar, nada melhor que um gato pra entender a gente e fazer aquele chamego na hora que estamos mais por baixo que sola de sapato!

Sempre tive gatos. Tudo começou com uma gatinha que apareceu em casa. Eu devia ter uns 8 anos, suponho. Chegou e eu me encantei. Foi amor ao primeiro ronronar! A bicha era tão incrível que subia no meu colo, deitava a cabeça em meu ombro e abraçava meu pescoço com a patinha. Eu me achava a mais especial das pessoinhas por ter uma gata que mais parecia gente. Ela cresceu, cresceu e, como diz na Bíblia, se multiplicou. Teve a primeira ninhada. A segunda. A terceira! Quando vi, havia nada menos que 14 gatos convivendo conosco em casa. Pra mim era uma festa. Já minha mãe pensava um pouco diferente…rs Um dia a gata me abandonou e foi morar no vizinho. Rejeição infantil foi pouco! Mas fiquei com os outros 13, até minha mãe exigir que meu pai levasse os felinos pra miar em outras praças.

Os anos se passaram. Tive diversos outros. Cada um tinha uma personalidade, um jeito de ser. Gosto de psicologia e isso se aplica aos animais. Sempre curti analisar o jeito singular de cada um. Com um deles eu até treinava telepatia… Coisas de pisciana-meio-bruxa-que-adora-gatos. :-) Tive um cão só na vida, o Tobi, que se escondia debaixo da cama quando a gente pegava o balde pra dar banho nele. Mas como fui meio que atacada pelo cachorro da vizinha, peguei um trauma e agora prefiro ficar longe dos cães até que me provem que posso confiar neles.

Hoje, depois de um longo jejum de gatos em casa (sempre minha mãe a embarreirar os bichanos), estou com a Nina. Ela não é linda? (Ai de você se disser que não! rs). E espero que ela continue nos dando as alegrias que os animais nos transmitem. Para pessoas idosas, como meus pais, um animal doméstico é um fator importante de tratamento anti-depressão. Pode apostar, o amor que eles nos permitem é muito curador. Meu pai conversa com a gata como se fosse sua neta. Minha mãe, como se fosse sua melhor amiga. Enfim, Nina chegou, conquistou a todos e virou parte da família.

E se você anda procurando um gatinho ou um cão, não compre um. Adote. Há muitos animais pelas ruas, abandonados, humilhados, maltratados. Infelizmente há ainda muita maldade no mundo e os animais, geralmente, são os que sofrem com as frustrações humanas. Pra ajudar você nisso, sugiro que dê uma passadinha no Campo de São Bento pra ver a feirinha que um pessoal muito bacana faz por lá todo primeiro sábado do mês.

Os animais são uns fofos e te olham com aquela carinha de “me leva pra casa” irresistível. Os organizadores da feira são uns abnegados do bem, que recolhem os animais nas ruas, levam pra casa, tratam e tentam arrumar um lar pra eles. Precisam de ajuda também pra comprar ração e outros cuidados. Se você quer fazer algo bom por alguém, taí uma boa chance.

Contribua, adote-os (minha Nina foi achada na rua e colocada pra adoção pela internet). Deus –  e São Francisco de Assis, protetor dos animais – haverá de recompensar você em dobro, com garantia de muitas lambidas, balançar de rabinhos quando chegar em casa ou barulhinhos de ronronar e enroscadas em suas pernas. Não tem preço tanto amor. Desfrute. Adote um animal e seja bem mais feliz.

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Sempre gostei de praia, do mar, do sol, do verão. O calor nunca me incomodou. Enquanto todo mundo se queixava de desconforto, sempre me senti muito bem com as altas temperaturas. Foi assim desde menina e até onde a memória me permite acessar. No último verão, porém, neste glorioso Rio de Janeiro, tive que repensar minhas convicções a respeito das quatro estações. Tudo, claro, motivado pelos 45 graus que encaramos, com uma sensação térmica de 50 graus. Deserto perde.

Daí passei a curtir mais o clima temperado do outono. Ah que lindos dias o mês de abril nos reserva! Árvores floridas (sim, aqui as árvores não florescem na primavera e sim no outono, pode reparar), céus azuis contrastando com as montanhas imponentes da Cidade Maravilhosa. Dias claros, sem nevoeiros, límpidos, simplesmente claros.

Quando a gente é adolescente, sente uma atração pelos extremos. Tudo é intensidade: calor tem que ser muito, diversão idem, paixão ibidem. A gente sempre pende pra um único lado, uma opinião, um hábito, às vezes até, um vício. Mas o tempo traz novos ventos na vida, muda a nossa forma de pensar a partir das experiências que vamos adquirindo. É a tão falada maturidade. Começamos a relativizar as coisas, a ser mais flexíveis, pelo menos é isso que espera-se de um ser humano em evolução. É aquela boa e velha carta do tarot: a Temperança, que chega pra dar um tempero nas loucuras e arroubos do Louco.

Sinto-me em plena “temperança”. Amava o verão com toda a intensidade juvenil, mas, diante do Aquecimento Global, tive que me render e estou mais afeita às temperaturas amenas. Até o rosto, que antes eu expunha com vontade ao sol de meio-dia nas praias, hoje tento proteger a todo custo com filtros solares 60 e bonés (até porque luto pra fazer sumir um belo melasma que os anos de sol me deixaram de herança). É… o tempo passou, a pele reclamou e agora virei fã do caminho do meio, como Buda, do outono e seus dias lindos e da primavera com a promessa de tempos melhores.

Dizem que as fases da vida repetem as estações. A gente nasce na primavera (daí se diz que a pessoa completou mais uma primavera quando faz aniversário), cresce e fica jovem no verão, amadurece no outono, na meia-idade, envelhece e morre no inverno, pra depois recomeçar tudo de novo em uma nova primavera (são as novas encarnações que todos nós vivenciamos). É um ciclo, como é bem retratado no filme Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera, de Ki-duk Kim.

“Sol de primavera, abre as janelas do meu peito…”

A estação das flores chegou. É um convite a recriar a vida, sair da hibernação do inverno e recomeçar. Bom seria se a gente aprendesse a fluir no movimento harmônico das quatro estações. Sorrindo no verão, refletindo no outono, guardando forças no inverno e despertando novamente a vida em nós, a cada mês de setembro.

“Quando entrar setembro, e a boa nova andar nos campos…”

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A experiência me diz que, na vida, existem três categorias de sonhos. O que a gente sonha e um dia realiza. O que a gente sonha e nunca acontece, mas que nos move em direção a muitas outras coisas. E o sonho que muda com o tempo.

Explico. Quando criança, eu queria muito ser desenhista. Adorava desenhar – acho que deixei esta herança para o meu sobrinho – e vivia copiando formas e imagens (veja duas das minhas obras acima), até dos desenhos a que assistia na TV. Comprei livros de desenho, fiz cursos vários: desenho, desenho de propaganda, desenho de serigrafia, desenho animado e até de desenho de modelo vivo, esse há poucos anos, no Parque Lage.

Achava mesmo que viraria artista. No vestibular, queria Belas Artes, mas esbarrei no mundo real e vi que ou estudava  ou trabalhava, porque era no horário comercial. O imperativo da vida prática me levou a buscar uma outra carreira, mas que me colocasse perto da criação, da criatividade. Então, fui parar na Comunicação Social, mais especificamente, na Publicidade.

Outro sonho de infância era ser dançarina. Não bailarina, pois nunca apreciei o ballet clássico. Gostava do jazz, adorei o filme “Flash Dance” e vivia imitando pela casa as coreografias dos videoclips da TV, como os do Michael Jackson. A dança dos zumbis em “Thriller” era clássica, assim como o Moonwalker, marca registrada do astro pop. Como não pude fazer aulas devido às condições financeiras da família, cresci com este sonho guardado no bolso até que, quando adulta, fui para a dança de salão, onde resgatei algo deste contato com o dançar.

Domingo passado revi “This is it”, que mostra os bastidores da última turnê mundial que o Michael Jackson faria. E este filme me fez relembrar dos sonhos, sobretudo os não realizados. Ver aquela seleção dos dançarinos (os melhores do mundo) que iriam fazer parte do show foi bem marcante. Imaginei-me eu mesma lá, dando o meu melhor pra dançar com um dos melhores dançarinos de todos os tempos. Quanta alegria para os que foram selecionados! Aqueles que, na descrição do diretor, “tinham um algo a mais”. Mas o pior foi vê-los fazendo coisas incríveis com seus corpos, saltando no ar, desafiando a gravidade, a flexibilidade, os limites e saber que, no final das contas, não realizaram o sonho de subir ao palco no show do artista mais emblemático dos últimos tempos.

Triste. Eu lamentei profundamente. Tanto os sonhos perdidos quanto a perda de um ser humano que levava seu talento pessoal ao máximo de sua expressão. Michael era um astro completo.

Mas foi depois de muito meditar sobre o tema que cheguei a nova conclusão. Acho que aqueles dançarinos, assim como os músicos, os cantores, foram realmente pessoas de muita sorte. Porque, afinal, dançaram, tocaram e cantaram com o maior de todos. Realizaram sim seus sonhos. Deram o melhor que puderam. E no final, ainda que o show não tenha acontecido, foi lançado o filme que os exibiu para o mundo. Sonho realizado, não? Eu penso que sim.

E nesse assunto de sonhos tem coisas bem curiosas. Tem gente que, sem querer, acaba realizando um sonho de muitos através de uma simples “dancinha”. Conhecem o Matt? Ele fez o que eu adoraria ter feito. Conheceu 42 países do mundo apenas dançando. Quem não quer? :-)

A todos que ainda acreditam em seus sonhos, meu caloroso e dançante abraço. Tudo é possível e é preciso não perder o ânimo nunca. E mesmo que um sonho não seja realizado da forma exata como planejamos, nosso coração é capaz de nos levar a novos lugares. Talvez não o palco do show do Michael Jackson, mas às telas dos cinemas do mundo todo em “This is it”, ou ainda a muitos caminhos mais. E você, qual seu sonho? Compartilhe aqui. Vou gostar de saber.

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Sou neta de jardineiro. Um homem que cuidava de uma chácara e plantava legumes e hortaliças para vender. Sou filha de serralheiro, que aprendeu com o pai a respeitar a natureza da qual ele (o pai) dependia pra sobreviver. Cresci morando em casa, com quintal, árvores frutíferas, plantas, ervas medicinais e animais. Minha mãe é o que chamam por aí de “dedo verde”. Tudo que ela põe a mão brota, cresce. Também, pudera, ela conversa com as plantas, trata-as como filhos queridos. É bonito de se ver…

Quando eu era criança, havia gaiolas de passarinhos em casa que meu pai todo dia pendurava nas árvores e de noite botava em local coberto da friagem. Eu lavava o piso das gaiolas e espetava a metade de um jiló ou maxixe na na grade . Achava os passarinhos lindos, eram biquinhos de lacre e outros que não lembro o nome. Com o passar do tempo, porém, entendi que aqueles bichinhos fofos que alegravam minha infância eram tristes, porque estavam presos, privados de terem a vida que gostariam de ter. Foi então que, com a autorização do meu pai, soltei-os. E foi uma sensação muito boa ver seu vôo para a liberdade.

Meu pai, sempre que precisava cortar uma árvore, porque estava muito alta e ameaçando nossa casa, pedia licença. Não para nós, humanos da casa. Pedia licença para a árvore! É muito respeito com a natureza. Aquilo me encantava muito. Os cães, patos, galinhas, gambás e até micos que apareciam no quintal, mesmo a gente morando em ambiente urbano, faziam parte também dos meus dias de criança. E os gatos? Esses eram um capítulo à parte, um amor incondicional que sempre tive e tenho até hoje.

Essa história é a minha história de contato com o meio ambiente, muito antes de se falar em sustentabilidade, em ecologia (que só vim a estudar na escola, já adolescente), aquecimento global e pegada ecológica. Aprendi a ser natural com o contato com a natureza. Aprendi a respeitar as formas de vida que estão abaixo de nós na cadeia evolutiva. Aprendi a ser mais humana.

Foi em 1992, quando já estava na universidade, que ouvi falar de uma tal de Eco 92 (vide logo e posters comemorativos do evento abaixo), que movimentou o Rio de Janeiro e o meu trajeto diário pelo Aterro do Flamengo até a Escola de Comunicação da UFRJ. Líderes de todo o mundo estariam reunidos para propor uma agenda de compromissos, visando à preservação do planeta. Também recordo de um comercial a que assisti no qual um índio tinha seus cabelos raspados ao som de uma motosserra (se você tem o vídeo deste comercial compartilhe aqui). Acho que foram os primeiros momentos em que tive contato mais direto com a questão ambiental.

Ainda a pouco tivemos a COP 15 (são tantas siglas!) e hoje vivo em busca de artigos, sites e notícias sobre o meio ambiente. Faz parte dos meus temas favoritos a sustentabilidade e o futuro do planeta. Vejo que tudo isso que sinto agora vem lá de trás, de raízes muito bem fincadas na minha consciência de menina travessa, brincando no quintal de pé no chão. Hoje, sou uma mulher que acredita em uma nova proposta de vida para todos. Acredito que podemos mudar e construir um mundo melhor para nós e as próximas gerações. Um mundo com baixas emissões de carbono, com nossos recursos hídricos protegidos, com a biodiversidade respeitada, com florestas ainda de pé. Um mundo ético e sustentável. Estamos comemorando o Dia do Meio Ambiente em 5 de junho (World Environment Day). Que seja uma data para nossa reflexão mas, sobretudo, para nossa ação. Vamos lá, ainda há tempo!

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