Demorou pra eu escrever este post. Talvez Freud explique, afinal, vou falar da minha mãe. É maio, não é? É o mês delas. E especialmente é o mês da minha, que quase não está aqui pra comemorar esta data. Explico.
Em 2009 me vi frente a frente com o sentimento de quase perder minha mãe. E não foi nada agradável. Uma moto a atropelou e ela, com seus 38 quilos e 1,50 metros resistiu, bravamente por sinal. Entre um braço quebrado e várias escoriações, salvaram-se todos. Mas isso não é de espantar. Ela sempre foi uma fortaleza, uma fortaleza escondida na fragilidade da aparência e das emoções afloradas, mas, sim, uma fortaleza.
Todo mundo tem uma lembrança de medo de quando ia ao dentista ou ao médico quando criança, não é assim? Eu não. Minhas lembranças são tão boas. Minha dentista, a Dra. Cássia, era uma fofa que dizia que ia pegar minhas tranças pra ela. E no seu consultório tinha brinquedos legais e aquela casinha que a gente entra dentro. Brinquedo caro que eu nunca pude ter, então, quando minha mãe me levava lá com meu irmão, era uma festa pra mim.
Já o médico era o Dr. Jofre, um senhor careca que arregalava meus olhinhos e enfiava goela abaixo aquele palito pra examinar a garganta. Seu consultório ficava num prédio antigo do centro da cidade, com elevador de porta pantográfica e tinha um ar meio de livro de suspense. Sabe deus o que acontecia por trás daquelas portas antigas e corredores vazios. O cheiro do consultório era único. Lembro bem. Eu ia sempre lá com minha mãe quando tinha febre ou alguma daquelas doenças que toda criança tem.
Mas o que tem a ver o dentista e o médico com o dia das mães? Nada. E tudo. Tenho muitas lembranças destas idas e vindas ao dentista e ao médico com minha mãe. E uma das lembranças mais felizes era a volta do médico. A gente sempre passava numa padaria que ficava em frente a estação das barcas e ela comprava um pão em formato de meia lua. Era o máximo! Um pão de lua, verdadeira diversão pra uma criança. Pegávamos o ônibus e eu vinha pra casa deitada no colo dela, partindo o pão de meia lua quentinho com minhas mãozinhas e comendo, vendo a paisagem correr pela janela.
Em outra ocasião, lembro do leite morno que minha mãe me trazia na cama quando eu acordava. Era tão gostoso aquele calor do leite descendo pelo peito! Até hoje beber leite morno me dá uma sensação de proteção e bem estar. Lembranças tenras de muita nutrição, do corpo e do coração.
E o chá de folha de laranja da terra? Só minha mãe, criada na roça e conhecedora das ervas e plantas, sabia fazer o chá com gosto bom. Dissolvia uma coristina no copo, botava açúcar pra adoçar e me dava pra beber nos dias de gripe forte e dor de garganta. Calor, cuidado e proteção.
Minhas melhores lembranças de minha mãe estão ligadas a beberagens e comidinhas, como o prato de feijão fresquinho que ela me dava puro, só com farinha, na volta da brincadeira noturna na rua. O sabor daquele feijão literalmente “amigo” nunca vou esquecer. Aipim frito com café, banana frita, bolinhos feitos com o arroz de ontem, bolinhos de chuva que a gente comia vendo sessão da tarde e brincando de batalha naval… Boas lembranças, muito boas.
Por todas essas, dedico hoje este post a minha querida mãe. Temos muitas diferenças, temos muitas discussões, temos muitos conflitos. Mas temos também muito amor e união. E sei que pra onde eu for, levarei comigo sempre seu legado e seu exemplo de pessoa íntegra, trabalhadora, forte, corajosa e com uma imensa fé no Menino Jesus de Praga, São Judas Tadeu e sobretudo, Nossa Senhora da Conceição. Então, querida Virgem Mãe, te peço: abençoe minha mãezinha no dia de hoje e todas as mães deste planetinha azul.
E você, qual sua melhor lembrança de sua mãe? Contaí nos comentários. Vou gostar de saber. FELIZ DIA DAS MÃES!




Minha querida,
este texto é o seu retrato, doce, meigo e real.
Percebo como vc tem a capacidade de tirar das coisas mais
simples um gde alimento para nossas almas.
É mto bom ler o q vc escreve, tem vida e cheiro de amor.
Um gde bj. Eglais
Queridoca, como é bom lembrar do pão doce……hummm……
Mas quero trazer um carinho de minha mãe….
Uma vez, na minha adolescência, ela me viu chorando de madrugada e se deitou ao meu lado e disse: “não sei porque você está chorando, mas nunca chore sozinha ….”
Acho que mãe é isso aí… Não tem explicação ….
Tivemos muitas dificuldades, mas ela tava lá …. e isso aquece feito leite morno …rsrs!
Bejocas
Shirlei,que linda a sua infancia.Voce;é uma escritora nata!Parabéns a voce esua Mãe!
Querida irmã, desnecessário é elogiar mais este post, uma vez que sou suspeito pelo carinho e amor que tenho por você.
Nossa querida mãe é realmente uma guerreira, a qual diante de tantas dificuldades de nossa infância e adolescência, sempre lutou por nós e nos defendeu com unhas e dentes, e principalmente sempre nos incentivou para que estudássemos e fôssemos alguém.
Digo se um de seus objetivos foi nossa educação isso ela pode se orgulhar de nos ter ajudado a conseguir.
Faltou citar no posto, dentre as comidinhas, as sopas que nossa mãe faz, jamais comi em nenhum outro lugar sopas iguais.
Falar de comida de mãe é realmente falar da melhor cozinheira do mundo!!
Bj Grd em seu coração
De seu irmão.
Que lindo! Ficou simplesmente lindo!
Realmente, vc tem alma de escritora.
Minha mãe … Tem colo quente.
Gostava de me levar pro cinema e sempre tinha um lanchinho.
Não sabeia fazer carinho porque foi criada em colégio de freiras. Mas adora carinhar dando presentinhos. Ela não sabe ir na rua e não trazer algo para alguém.
O Natal, cada um recebe 3, 4, 5 presentinhos. É uma grande festa.
Minha mãe … passa horas tricotando roupinhas de fira para crianças carentes. Adora ver novela. Me diz que devo cuidar do meu peso e, logo em seguida, me traz um docinho que ela comprou pra mim. Não sabe ver alguém passar por uma dificuldade sozinho.
Minha mãe … comprou o meu primeiro jaleco do CEU escondido do meu pai, porque não sabíamos como ele reagiria. Me ajudou, junto com meu irmão, na compra do meu fusquinha. E não me deixa sair da casa dela sem um trocado, mesmo quando digo que não precisa.
Minha mãe … meu pai diz que ela é um anjo (e sempre se emociona quando diz). Eu concordo. E tudo que eu fizer por ela, todo presente e carinho será pouco.
Amei seu texto.
Valeu. Inacio.
Queridos amigos, Eglais, Inácio, Norma, Martinha, Sidinho, obrigada pelo carinho de sempre. Que este blog seja sempre um espaço de amor e afetos, em meio a um deserto que encontramos por aí afora…
Lindas histórias de suas mãezinhas. Que Maria, mãe de todos nós, nos abençoe sempre. Amém!
Leitura tardia, eu sei, mas como vale a penas ler seus textos, Shi! Sempre cheios de emoção, de doçura… cheios de VOCÊ!
Um beijo no coração, minha amiga!